domingo, 5 de dezembro de 2010

Blogpaedia: Dicas práticas para o preparo do Kefir de Água.

Blogpaedia: Dicas práticas para o preparo do Kefir de Água.: "Além de explicar brevemente o que é o kefir de água, informando outras fontes de pesquisa, o texto abaixo fornece orientações simples e ilus..."

domingo, 7 de novembro de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

DOM DEMÉTRIUS
BISPO DO RIO DE JANEIRO


Em geral no ocidente, e em especial no Brasil, costuma-se pensar o cristianismo como uma realidade configurada em dois formatos: O cristianismo Católico Romano e o Protestante. Assim, quando um ocidental ouve falar em Igreja Ortodoxa procura situá-la em uma destas duas fórmulas.
Mas, é justamente aí que onde se apresenta o primeiro entrave para uma compreensão correta sobre a Ortodoxia: Ao olhar as nossas formas litúrgicas, as indumentárias do clero e a arquitetura das nossas igrejas, procurarão situar-nos no universo da Igreja de Roma; no entanto, os nossos diversos nomes (Igreja Grega, Alexandrina, Antioquina, Russa e etc) poderão fazê-los pensar tratar-se de uma estrutura fragmentada, à semelhança das comunidades protestantes. Alguns acharão que somos uma igreja mista, uma espécie de síntese das duas vertentes do cristianismo conhecido e, outros, pensarão tratar-se de um cisma da Igreja de Roma.

Surpresa inimaginável toma conta daqueles que ao se deparar com a história do Cristianismo constatam que a Igreja Ortodoxa é a mesma Igreja desde a fundação do Cristianismo por Jesus e transmitida pelos apóstolos. Por isto nos chamamos ortodoxos, pois preservamos esta herança sem nenhum desvio, acréscimos ou subtrações; que na verdade a estrutura monárquica e piramidal do Catolicismo Romano e “anarquia” Protestante são na verdade derivações e adaptações históricas do modelo ortodoxo, o qual era comum a todas as regiões (oriente e ocidente) durante os primeiros mil anos do cristianismo.

Encontram-se publicados em português diversos textos na internet sobre a fé e a prática da Igreja Ortodoxa. Segue abaixo conexões para aqueles que, em nossa opinião, resumem bem o que é Ortodoxia.


A Santa Igreja Ortodoxa (Bispo Kalistos Ware, tradução Rev. Pedro Oliveira);

"A Ortodoxia não é um tipo de Catolicismo Romano sem o Papa, mas sim alguma coisa muito diferente de qualquer outro sistema religioso do ocidente. No entanto, aqueles que olharem mais de perto esse "mundo desconhecido”, nele descobrirão muita coisa que, mesmo diferente, é, ao mesmo tempo, curiosamente familiar, "mas isto é aquilo no qual sempre acreditei!." Esta tem sido a reação de muitos ao aprender, mais profundamente, sobre a Igreja Ortodoxa e sobre o que ela ensina; e eles estão parcialmente certos. Por mais de novecentos anos, o Oriente Grego e o Ocidente Latino têm se desenvolvido firmemente separados cada um seguindo seu próprio caminho, tendo tido, no entanto, solo comum nos primeiros séculos da Cristandade. Atanásio e Basílio viveram, no oriente, mas eles pertencem, também, ao ocidente; e Ortodoxos que viveram na França, Bretanha ou Irlanda podem, por sua vez, olhar para os santos nacionais dessas terras — Albano e Patrick, Cuthbert e Bede, Geneviéve de Paris e Augustine de Canterbury — não como estranhos, mas como membros de sua própria Igreja. Toda a Europa foi um dia tão parte da Ortodoxia como a Grécia e a Rússia são hoje em dia."

A Igreja Ortodoxa No Mundo (Metropolita George El Haj);

Ortodoxia é a autêntica religião cristã pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitida pelos Apóstolos aos seus próprios sucessores e aos fiéis, e preservada zelosamente em sua pureza cristalina pela Igreja Ortodoxa, através dos séculos. É a doutrina certa e justa, compreendida sem subtração e sem acréscimo nas Sagradas Escrituras, na Tradição e nos Sete Concílios Ecumênicos. É ortodoxo aquele que segue a doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e os ensinamentos da Igreja Ortodoxa. Exatamente, o ortodoxo é aquele que segue a doutrina reta e direita de Jesus Cristo. A Igreja Ortodoxa por sua vez, é a sociedade fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a fé dos doze Apóstolos para os fiéis cristãos que obedecem aos canônicos pastores e vivem unidos pelos elos da Doutrina, das leis de Deus, da hierarquia divinamente instituídas e da prática dos Sacramentos.

Teologia Dogma Ortodoxa (Um compêndio de teologia dogmática de autoria do Pe. Michael Pomazanski e tradução do Rev. Pedro Oliveira);

A Igreja Ortodoxa de Cristo é o Corpo de Cristo, um organismo espiritual cuja cabeça é o Cristo. Ela tem um único espírito, uma única fé comum, uma única e comum consciência católica, guiada pelo Espírito Santo; e seus raciocínios são baseados nas concretas e definidas fundações da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição Apostólica. Essa consciência é expressada nos Concílios Ecumênicos da Igreja. Desde uma profunda antigüidade Cristã, concílios locais de Igrejas separadas reuniam-se duas vezes por ano, de acordo com o 37º cânon dos Santos Apóstolos. Da mesma forma, freqüentemente na história da Igreja existiram concílios de bispos regionais representando uma área mais ampla do que a de Igrejas individuais e, finalmente concílios de bispos de toda a Igreja Ortodoxa tanto do Oriente quanto do Ocidente. Tais Concílios Ecumênicos a Igreja reconhece em número de sete. Os Concílios Ecumênicos também formularam numerosas leis e regras governando a vida pública e privada da Igreja Cristã, que são os chamados canons da Igreja, e que requeriam sua observância universal e uniforme. Finalmente, os Concílios Ecumênicos confirmaram decretos dogmáticos de numerosos concílios locais e também regras dogmáticas compostas por certos padres da Igreja — por exemplo a confissão de fé de São Gregório, o Taumaturgo, Bispo de Neo-Cesareia (Para o texto das "Epístolas Canônicas" de São Gregório, ver Seven Ecumenical Councils, p. 602, Eedermans), o cânon de São Basílio, o Grande (O texto dos canons de São Basílio é encontrado no mesmo livro de Eedermans nas p. 604-611), e assim por diante.


Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 11h46
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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA



A intolerância religiosa é uma doença que de tempos em tempos torna se epidêmica e precisa de tratamento continuando prevenção. É um mal social, cuja cura passa pelo cumprimento da lei e pela educação. Um mal que atinge uma camada imensa da população global, que fere a dignidade humana, e a liberdade de consciência baseando-se no preconceito, na discriminação e na pretenção de alguns em serem "os donos da Verdade", que se sentem possuidores de alguma "procuração de Deus" para em seu nome, ivadir a privacidade do outro. E o outro é aquele a quem se dá o direito de ter pensamento próprio, aquele a quem não se dá a liberdade de ser quem é, aquele que o intolerante julga intelectual e moralmente incapaz de fazer uma escolha "CERTA" porque qualquer escolha que nãoseja a sua - do intolerante - é errada. Para se tentar acabar com a intolerância, é imprescidível tratá - la como doença, cujos remédios são a detecção e denúcia de sua existência, a exigência do cumprimento da lei e para prevenir sua recidiva e evitar o surgimento de novos casos; a execução uma ação intenciva e continuada de conscientização e educação e plena; uma educação para aq tolerância, para a compreensão e o respeito. A intolerância religiosa nasce da "fé cega" e não raciocinada de muitosdirigida de uns poucos que se aproveitam dos fies para obter poder, riqueza, e vingança. Vingança quanto àquilo que não encontram em si mesmos, resultante da inveja, do ressentimento e da incapacidade de ser verdadeiro, original, de encarar de frente a luta para se ver livres de suas fraquezas, de agir com liberdade, de ser feliz. Nasce do desejo de destruir no outro aquilo que mais se admira, porém não se tem força determinação, ousadia ou poder para ser. Para a análise é conveniente que saibamos os dispositivos constitucionais: CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL." Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes nos termos seguintes:

VI - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgia;

VII - É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entodades civis e militares de internação coletivas;

VIII - Ninguém será privado de doreitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou politica, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar - se a cumprir prestação alkternativa, fixa em lei".

Lei Nº 9.459, DE 13/05/1997

( Que deu nova redação aos Art. 1º e 20, da lei Nº 7.716, de 05/01/1989):

Art. 1°. Serão punidos, na forma deste lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceitos de raça, cor etnia, religião ou procedência nacional.

Art. 20 Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor Etna, religião ou procedência nacional. Pena: recrusão de um 1 ( um ) a (trêz) anos e multa".







Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 11h01
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22/01/2010

21.º) EM QUE ESTÁ BASEADA A DOUTRINA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA?

A Igreja crê nas verdades que a Ortodoxia ensina e se acham contidas no Credo Niceno-Constantinopolitano, onde se afirma:
Credo Niceno-Constantinopolitano
1.o Creio em Um só Deus, Pai Onipotente, Criador do Céu e da terra, de tudo o que visível e invisível;
2.o E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro, gerado e não criado, Consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas;
3.o Que desceu dos Céus por causa de nós homens, e para a nossa salvação; e encarnou-se pelo Espírito Santo, na Virgem Maria e se fez homem;
4.o E foi crucificado por nossa causa, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.
5.o E ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
6.o E subiu aos céus e sentou-se à direita do Pai.
7.o E novamente virá com glória, para julgar os vivos e os mortos e cujo Reino não terá fim.
8.o E no Espírito Santo, Senhor Vivificante, que do Pai procede e que é com o Pai e o Filho adorado e glorificado, e que falou pelos profetas;
9.o E em Uma Igreja, Santa, Católica e Apostólica;
10.o Confesso, também, um só Batismo para remissão dos pecados;
11.o E espero a ressurreição dos mortos;
12.o E a vida do século futuro. AMÉM.

22.º) EM QUE A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA CRÊ, SEGUNDO O CREDO POR ELA PROFESSADO?

Dados Históricos
O Credo que nós vamos explicar aqui, foi composto pelos Pais do primeiro e do segundo Concílio Ecumênico.
No primeiro Concílio Ecumênico, foram escritas as primeiras sete componentes do credo. No segundo, foram escritas as cinco restantes. O primeiro concílio ecumênico deu-se na cidade de Nicéia, no ano 325 da era cristã, com a finalidade de aprovar o ensinamento dos apóstolos sobre o Filho de Deus contra o ensinamento de Ario, que considerava que o Filho de Deus fora criado pelo Pai e por isso não é o verdadeiro Deus. O segundo concílio ecumênico, deu-se na cidade de Constantinopla, no ano 381 D.C., para aprovar o ensinamento dos apóstolos contra o falso (ensinamento) de Macedônio que rejeitava o valor Divino do Espírito Santo. Segundo as duas cidades onde se deram esses concílios, o Credo chama-se "Niceo-Constantinopolitano."
O Credo consiste em 12 partes: a primeira fala de Deus Pai, da segunda à sétima fala-se de Deus Filho, a oitava fala de Deus Espírito Santo, a nona fala da Igreja, a décima do Batismo, a décima-primeira e a décima-segunda - da ressurreição dos mortos e da vida eterna.
O Significado da Palavra Latina “Credo”
A palavra latina credo, significa "creio." Na Igreja Ortodoxa, o credo é geralmente chamado de Símbolo da Fé, que significa "expressão" ou "confissão" da fé.
O Credo é uma oração onde está redigida, breve e concretamente a verdade fundamental da religião ortodoxa.
Uma pessoa sem fé, é como um cego. A fé dá à pessoa uma visão espiritual, para ajudá-la a perceber o sentido do que acontece à sua volta; como e porque tudo foi criado, qual é o objetivo da vida, o que está correto e o que não está e para o que devemos nos empenhar.
Desde os tempos antigos, os cristãos têm usado o credo para serem lembrados sobre os fundamentos da Fé Ortodoxa. Na igreja antiga, existiam vários credos, mas eram curtos. Porém, no século IV, apareceram ensinamentos falsos sobre o Filho de Deus e o Espírito Santo. Então, foi necessário completar todos estes credos e definir mais claramente os ensinamentos da Igreja.


O Credo, Dividido em Doze Partes
1. Creio em um só Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
2. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, Unigênito, nascido do Pai antes de todos os séculos: Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por Ele todas as coisas foram feitas.
3. Por nós homens, e pela nossa Salvação, desceu dos Céus e encarnou pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria e se fez homem.
4. Foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.
5. E ressuscitou ao terceiro dia conforme as escrituras,
6. subiu aos Céus, e se sentou à direita do Pai.
7. De novo há de vir em Sua glória, para julgar os vivos e os mortos, e o Seu Reino não terá fim.
8. E no Espírito Santo, Senhor que dá vida, procede do Pai e com o Pai e o Filho, é igualmente adorado e glorificado, e que falou pelos profetas.
9. Na Igreja uma, santa, católica e apostólica.
10. Professo um só batismo, para remissão dos pecados.
11. Espero a ressurreição dos mortos,
12. e a vida do século futuro. Amém.
Em Que Nós Cremos Segundo o Credo?
Nós começamos o credo com a palavra "creio," porque a essência das nossas convicções religiosas não se baseia numa experiência exterior, mas sim na recepção das verdades oferecidas por Deus. Os objetos ou fenômenos do mundo espertou não podem ser verificados em laboratório nem se podem provar pelo meio de uma lógica - eles entram na esfera da experiência religiosa individual de cada pessoa. Porém, quanto mais uma pessoa progride na sua vida espiritual, por exemplo: quanto mais ela reza, pensa em Deus e pratica boas ações, mais evolui a sua experiência religiosa e mais claras e evidentes se tornam para ela as verdades da religião. Deste modo, a fé para uma pessoa crente torna-se um objeto da sua experiência individual.
I - Cremos: que Deus é a plenitude da perfeição: Ele é o Espírito inteiramente perfeito, eterno, Todo-poderoso e Sábio. Deus está em todo lado, vê e sabe tudo mesmo antes que algo aconteça, Ele é infinitamente bom, justo e santíssimo. Ele não tem necessidade de nada e é a razão principal de tudo o que existe.
II - Cremos: que Deus é uno no Seu ser e tríade de pessoas (isto é, o verdadeiro Deus apareceu a nós como o Pai, o Filho e o Espírito Santo), que é a Trindade, consubstancial e inseparável. O Pai não nasce nem provem de outra Pessoa (da Trindade), o Filho nasceu do Pai antes dos séculos, e o Espírito Santo provem do Pai antes dos séculos.
III - Cremos: que todas as Pessoas ou hipóstases de Deus, são iguais entre si na perfeição, grandeza, poder e glória Divina, ou seja, - nós cremos que o Pai é o Deus verdadeiro e perfeito, e que o Filho é o Deus verdadeiro e perfeito, e que o Espírito Santo é o Deus verdadeiro e perfeito. Por isso, nas orações nós louvamos ao mesmo tempo o Pai, o Filho e o Espírito Santo como um só Deus.
IV - Cremos: que todo o mundo invisível e visível foi criado por Deus. Primeiro, Deus criou o mundo invisível, o grande mundo dos anjos ou, como se diz (na Bíblia "céu)," depois, criou o nosso mundo material ou físico (na Bíblia - "terra"). Deus criou o mundo físico do nada, contudo não foi de repente, mas pouco a pouco, durante períodos de tempo que na Bíblia se chamam "dias." Deus criou o mundo sem ter indispensabilidade ou necessidade dele, mas pela sua benevolência, para que outros seres criados por Ele desfrutem da vida. Sendo infinitamente bom, Ele criou tudo bom. O mal no mundo provém do abuso da livre vontade que Deus deu aos anjos e as pessoas. Assim, por exemplo, o diabo e os seus demônios antes eram anjos bons, mas eles se revoltaram contra Deus e se tornaram maus. Daí, foram expulsos do paraíso e formaram o seu próprio reino do mal que se chama "inferno." Desde esse tempo eles incitam as pessoas a pecar e são os inimigos da nossa salvação.
V - Cremos: que Deus tem tudo em Seu poder, ou seja, que Ele dirige tudo e leva tudo para um bom destino. Deus ama-nos e preocupa-se conosco como uma mãe com o seu filho. Por isso, nenhum mal pode acontecer à pessoa que confia em Deus.
VI - Cremos: que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, pela nossa salvação, desceu dos céus e encarnou pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria. Sendo Deus desde a infinidade, nos dias do Rei Herodes tomou a nossa natureza humana, - a alma e o corpo e por isso Ele é, ao mesmo tempo, o verdadeiro Deus e o verdadeiro Homem ou Deus-homem. Ele reúne na mesma pessoa duas naturezas, a Divina e a humana. Essas naturezas estarão Nele para sempre sem modificação, não se misturando nem se transformando numa outra natureza.
VII - Cremos: que o Senhor Jesus Cristo vivendo na terra, com o Seu ensinamento, exemplos e milagres, iluminou o mundo, ou seja, ensinou os homens em que é que eles devem acreditar e como devem viver para entrarem na vida eterna. Com as Suas orações ao Pai, com a absoluta realização da vontade Dele, com o Seu sofrimento e a morte na cruz Ele venceu o diabo, resgatou o mundo do pecado e da morte. Com a Sua ressurreição, Ele pôs início à nossa ressurreição. Subindo com o Seu corpo aos Céus, o que aconteceu no quadragésimo dia depois da ressurreição dos mortos, o Senhor Jesus Cristo se sentou "à direita do Deus Pai," ou seja, como Deus-homem, Ele tomou o mesmo poder com o Seu Pai e a partir daí comanda juntamente com Ele os destinos do mundo.
VIII - Cremos: que o Espírito Santo, provendo do Deus Pai desde o início do mundo, juntamente com o Pai e com o Filho dá existência e vida a todas as criaturas e dirige tudo. Ele é a fonte da abençoada vida espiritual tanto para os anjos como para as pessoas, e ao Espírito Santo deve-se honra e glória igualmente ao Pai e ao Filho. No Velho Testamento, o Espírito Santo falava através dos profetas, depois, no início do novo testamento Ele falava através dos apóstolos, e agora age na igreja cristã, direcionando os pastores da igreja e os cristãos ortodoxos para a verdade.
IX - Cremos: que Jesus Cristo para a salvação de todos os que crêem Nele, criou aqui na terra a Igreja enviando aos apóstolos o Espírito Santo no dia de Pentecostes. Desde então, o Espírito Santo permanece na igreja, nessa comunidade abençoada de cristãos com fé, e a guarda na pureza do ensinamento de Cristo. Além disso, a benção do Espírito Santo que permanece na Igreja, purifica os que se arrependem dos seus pecados, ajuda os crentes a progredir nas boas ações e os abençoa.
X - Cremos: que a Igreja é Una, Santa, Católica (Universal) e Apostólica. Ela é Una, porque todos os cristãos ortodoxos, mesmo pertencendo a diferentes igrejas do local, formam uma família juntamente com os anjos e os santos nos Céus. A união da Igreja baseia-se na união da fé e da benção. A Igreja é Santa, porque os seus filhos fiéis são santificados com a palavra de Deus, a oração e os sacramentos Sagrados. A igreja é Católica (Universal), porque está dedicada às pessoas de todos os tempos e de todas as nacionalidades. A Igreja é Apostólica, porque guarda o ensinamento dos apóstolos, recepção sacerdotal, que desde o tempo dos apóstolos até ao nosso tempo é passada de Bispo para Bispo no sacramento da Ordenação. Segundo a promessa do nosso Salvador, a Igreja permanecerá invencível pelos inimigos até ao final da existência do mundo.
XI - Cremos: que no sacramento do Batismo, se perdoam todos os pecados e que através desse sacramento a pessoa se torna membro da igreja, ao qual está aberto o caminho para outros dos seus sacramentos salvadores. No sacramento da Crisma, é dada ao crente a benção do Espírito Santo; no sacramento da penitência ou Confissão são perdoados os pecados cometidos na idade madura; no sacramento da Comunhão que acontece durante a Liturgia, os crentes comungam o verdadeiro Sangue e Corpo de Cristo; no sacramento do Matrimônio, estabelece-se uma união inseparável entre o marido e a mulher; no sacramento da Ordenação, os servidores da igreja, sacerdotes diáconos e bispos são ordenados para servir a Igreja; no sacramento da Unção, é oferecida a cura à doenças espirituais e físicas.
XII - Cremos: que antes do fim do mundo, Jesus Cristo, acompanhado pelos anjos virá de novo à terra em glória. E então, todos pela Sua palavra ressuscitarão, ou seja, acontecerá o milagre no qual as almas das pessoas mortas voltarão para os corpos que lhes pertenciam antes de morrerem, e todas elas voltarão à vida. Durante a ressurreição dos corpos dos justos, tanto os ressuscitados como os vivos se renovarão e serão espiritualizados, como o corpo ressuscitado de Cristo. Depois da ressurreição, todas as pessoas comparecerão ao Julgamento de Deus, para que cada uma receba segundo o que fez enquanto viveu no seu corpo, o bem ou o mal. Depois do Julgamento, os pecadores que não se arrependeram, irão para o martírio eterno, - e os justos para a vida eterna. Assim começará o Reino de Cristo que não terá fim.
Com uma só palavra, "Amém," testemunhamos o fato de que recebemos de todo o coração e que consideramos verdadeira essa profecia da religião Ortodoxa.
O Credo é lido pela pessoa que recebe o batismo, durante a realização desse sacramento. No batismo de um bebê, o Credo é lido pelos padrinhos. Além disso, o Credo é cantado na igreja durante a Liturgia e deve ser lido todos os dias nas orações da manhã. Uma leitura atenciosa do Credo tem grande influência na nossa fé. Isso acontece porque o credo não é apenas uma fórmula da religião, mas é uma oração. Dizendo a palavra "creio," com disposição para a oração, e as outras palavras do credo, nós damos vida e fortificamos a nossa fé em Deus e em todas as verdades que o credo contém. É por isso que é tão importante para um cristão ortodoxo ler o Credo todos os dias, ou pelo menos regularmente.

Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 17h18
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31.º) QUANTO AO USO DO VÉU NA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA?

A Igreja Ortodoxa, ou Oriental, como é chamada aqui no Ocidente, preservou tanto a doutrina como o rico ritual litúrgico elaborado durante os primeiros tempos do Cristianismo. Seria este um meio capricho, ou um excessivo apego a um formalismo ritual? Temos aqui exatamente duas posturas, duas visões diferentes do mundo e da própria Igreja, e portanto, do seu ritual. São praticamente duas atitudes básicas diante do Sagrado. Da compreensão deste problema vai depender exatamente a verificação que o ritual ortodoxo é cheio de sentido e significado, visto que o universo simbólico da Sagrada Liturgia é preservado em todos os seus detalhes e em todo o seu rico conteúdo espiritual.
Neste sentido, podemos afirmar que o véu tem necessariamente um sentido e dimensão que ultrapassam o uso cultural ou qualquer distinção discriminatória para com o sexo feminino. Por que reduzir o mistério a simples categoria sociológica, histórica, sexual ou cultural Por que se adotam interpretações racionalistas e materialistas a uma dimensão que ultrapassa o tempo e o espaço? Ou o Sagrado está para além do concreto ou não existe? O Sagrado evidentemente se expressa e manifesta no mundo, mas está além dele! Aqui começa a distinção entre a recusa do véu, numa interpretação simplista e exterior ou a segunda opção apresentada pela Ortodoxia: viver o significado do véu dentro do universo do Rito Litúrgico, cujo sentido está evidentemente para além do uso do objeto "véu", fazendo deste um mero fim sem sentido.
O véu seria então um símbolo, portanto um sinal através do qual somos remetidos para um outro significado além dele; é um meio para ir a outra dimensão; chamemo-lo então: o sagrado. Por outro lado, o véu como elemento isolado não tem nenhum atributo especial ou mágico em si mesmo. Isto seria um erro grosseiro. Ele representa muito mais, é uma atitude, uma disposição, uma escolha.
Neste ponto se abre uma porta por onde podemos contemplar outra realidade, porque sendo uma atitude, isto significa escolha Se há escolha, há liberdade, então é possível compreender. Aqui entram em jogo dois atributos dados especialmente ao homem: liberdade (de escolher) e inteligência (para compreender).

Tem importância para a mulher o uso do véu na Igreja durante a liturgia? A prática ortodoxa afirma que sim.

O jogo litúrgico vai depender da liberdade de ir até ele e além dele, como da participação por meio da compreensão. Aqui chegamos à questão principal. Tem importância para a mulher o uso do véu na Igreja durante a liturgia? A prática ortodoxa afirma que sim - como se dá e porque é importante. O primeiro ponto é que reconhecendo o véu como símbolo, não se pretende esgotar todos os seus significados, porque não tem apenas um significado, mas vários, muitos... Podemos aqui sugerir alguns:
1. Deus criou o Homem e a Mulher, macho e fêmea os criou! Deus criando o mundo como uma coisa unida, integrada; dentro da criação, no entanto, há duas polaridades que vão realizar uma Unidade. O homem complemento da mulher e vice-versa, um precisa do outro. Como pode então um ser superior ao outro, se cada um precisa do outro? Na criação há outras dualidades: céu e terra, dia e noite, que correspondem também ao homem e à mulher numa relação integrada, harmônica. Portanto dentro da criação cósmica, cada polaridade tem seu lugar próprio, o equilíbrio do próprio Universo depende disso!...
Se a liturgia é uma celebração cósmica, esta vai conter os elementos que o próprio Deus estabeleceu e são chamados à Liturgia da maneira que Deus os criou: Homem e Mulher, cada um na plenitude do seu próprio sexo, porque cada um à sua maneira reflete a própria Unidade da Criação Esta distinção deverá ficar bem clara e estabelecida na Liturgia, onde cada um é chamado a assumir sua posição no mundo como homem ou mulher.
2. Criou o Céu e a Terra - Céu e Terra se complementam, o céu está em cima e a terra embaixo, o homem "cobre" a mulher; isto não significa superioridade de um sobre o outro, apenas lugares diferentes. Se a mulher vai representar a própria terra que é fecundada e coberta pelo céu, na Liturgia a mulher vai cobrir sua cabeça pois está diante de Deus, não diante dos homens!
3. A Virgem Maria - Na saudação do anjo Gabriel a Maria, para comunicar-lhe que seria a Mãe de Deus na terra, Deus escolhe uma mulher, claro! E aqui fica definido qual é a relação da humanidade, e especialmente da mulher, diante de Deus. O anjo lhe diz: "O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra". A mulher, portanto, diante de Deus, é receptiva e não passiva, posto que ela aceita, a vontade dela disse sim. "Faça-se em mim conforme sua palavra". O véu vai significar claramente a aceitação da palavra de Deus.
A mulher é naturalmente mais receptiva que o homem. Tem já o dom de gerar filhos; isto a torna co-participe na criação do mundo. Ela recebe o filho, isto não é nada passivo, muito pelo contrário. A mulher portanto é coberta por Deus, é um ser potencialmente mais "espiritual" que o homem.
4. A Virgem Maria e a Maternidade de Jesus - Uma mulher e não um homem é a pessoa que vai conhecer melhor o Cristo. Ela já o recebe no sim ao anjo! A partir disto Jesus vai crescendo dentro dela, é no seu interior que vai se desenvolvendo; ela então tem uma relação íntima, estreita como ninguém jamais a teve. O Espírito Santo a cobriu e ela concebeu; tudo se passou dentro dela, no maior mistério. Vemos sua barriga, sabemos que está grávida, mas não sabemos como é. É um mistério, está oculto - o mundo moderno quer descobrir tudo, nada escapa a isso, mesmo o Sagrado tem que ser exposto.
Na Liturgia Ortodoxa, o Santuário é separado dos fiéis e em dois momentos fecha suas portas aos olhos dos fiéis: na Prótese, que representa a vida oculta ou anterior de Cristo no mundo, e na Comunhão do Clero. O véu nas mulheres é a lembrança permanente dentro da Igreja daquilo que não vemos, que é mistério, está perto mas está encoberto por um véu.
5. O Véu do Santuário - O Santuário e sua porta representam a entrada (a Porta, o Cristo) ao Céu, que é coberto por um grande véu. Aqui na terra, portanto, um véu nos separa - do mistério da vida que está para além da porta que é o Cristo. Só o Espírito Santo nos faz enxergar para além do véu e do mistério; é necessária muita fé, a fé que a Virgem Maria nos ensina, a fé da mulher que espera um filho e vê nele um futuro distante.
A mulher representa a espiritualidade, ou seja, a receptividade a Deus para entrar com Cristo para além do véu e da porta do Santuário.
Portanto, o véu não é impedimento algum, mas confiança, fé e esperança de ir além dele para encontrar o Cristo. A mulher com véu vai representar a fé em algo que não vemos, está simplesmente encoberto!
6. Maria, a própria Igreja - Deus escolhendo Maria para Mãe de Cristo e Maria aceitando, se torna ela mesma o modelo de todos os cristãos, homens e mulheres. A Igreja é uma mulher, é o Corpo que recebe o Cristo. Encarnando aqui na terra Cristo se faz sangue. Ele é concreto. Em Maria a Mãe-Igreja é que recebemos o Cristo, gerado pelo Espírito Santo. A Igreja santificada e pura vai conhecer o Cristo intimamente, de dentro. Isto só é possível pelo mistério, não pode ser explicado, analisado, apenas vivido de dentro, como uma Mulher-Mãe-Maria o vive.
Se Maria é a Igreja onde Cristo nasce, o Cristo é a cabeça da Igreja, dirigida espiritualmente por ele; é a mulher com a cabeça coberta, porque coberta por Cristo, vai nos ensinar a fazer todos a sua santa vontade.
O véu será submissão a Cristo, e não aos homens. Igreja conduzida por Cristo; ele é a cabeça. Então a mulher aceita amorosamente se entregar a Cristo, aceitando que ele a cubra.


32.º) A FIDELIDADE DA FÉ NA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA ?

A Igreja Ortodoxa manteve sem acréscimos nem reduções a Lei que lhe foi confiada. Em três ocasiões, São Paulo recomendou ao discípulo Timóteo que mantivesse a fé, incólume e imaculada, tal como a recebera, dizendo-lhe:
"Eu te exorto diante de Deus... que guardes este mandamento sem mácula nem repreensão até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo" (I: VI-13 e 14).
"Timóteo! Guarda o que te foi confiado, evitando conversas vãs e profanas e objeções da falsa ciência, a qual tendo alguns professado, se desviaram da fé" (I: VI-20 e 21).
"Conserva o modelo de sãs palavras que de mim ouviste na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós" (II: I-13 e 14).
Um comentador das Epístolas apresentou o seguinte conceito:
Quem recebe um depósito, cumpre restituí-lo à pessoa que lho confiou. Um depósito não é propriedade do depositário; este deve repô-lo, completo, sem reduções nem modificações. O depósito, que é a fé, é muito precioso por constituir o direito de Deus, revelado à humanidade. Cabe a todo crente e, especialmente, aos mestres, que sejam fiéis na guarda desse depósito e transmiti-lo incólume e sem alterações àqueles que lhes sucederão.
Timóteo, o discípulo dileto do Apóstolo São Paulo que o sagrou Bispo de Éfeso, cidade situada no coração fervilhante da Anatólia, era igual aos primazes orientais, guardiões dos conselhos dos mestres, que os transmitiram aos sucessores sem nenhuma alteração. Os estudiosos da história do Oriente e os pesquisadores da verdade reconhecem que os homens do Oriente zelam com todo o rigor pelo que se lhes confia, mormente quando o objeto confiado é uma questão de fé, relacionada com o que representa as contas a serem prestadas no Dia do Julgamento.
Éfeso, que teve em Timóteo o seu primeiro bispo, permaneceu durante longo tempo como a vanguarda do cristianismo. Nela se realizou o VI Concílio Ecumênico. Os seus numerosos bispos contribuíram para a grandeza da Igreja, que deles se orgulha através dos séculos. O Bispo Marcos, um dos seus sábios prelados, de atitudes nobres e corajosas na defesa do cristianismo, compareceu ao Concílio de Florença, em 1439, batendo-se quase sozinho, sem medo e sem vacilação, com a maioria constituída de antagonistas, em defesa da fé confiada pelos seus antecessores.
O bispo Marcos não era, no Oriente, o único prelado íntegro e leal, zeloso pela pureza da fé; Como ele existiram numerosas e nobres personalidades. Assim, todas as deliberações dos Concílios Ecumênicos, arquivadas pela Igreja Ortodoxa, sem acréscimos ou reduções, foram a maior prova e o mais santo testemunho da conservação da fé, sã e intacta, na Igreja do Oriente.

33.º) CONCLUINDO... POR QUE SOU CRISTÃO ORTODOXO?

Sou Cristão Ortodoxo: Porque pertenço à sociedade de fiéis Cristãos unidos pela Fé Ortodoxa e vivem conforme aquilo que Ela ensina, obedece aos seus Pastores em tudo o que acontece à Glória de Deus e à Salvação da alma.
Sou Cristão Ortodoxo: Porque vivo e pratico a fé e a virtude na Igreja. Considero-me membro dela, por meio do Santo Batismo; assisto às Igrejas Ortodoxas, a seus cultos e sacerdotes; acerco-me dos Santos Sacramentos; escuto a Voz de Deus através de seus Vigários; trato de viver da Graça que se derrama continuamente sobre todos os seus filhos.
Sou Cristão Ortodoxo: Porque amo ao verdadeiro Deus, a Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, e ao Divino Espírito Santo; amo e procuro seguir sua Doutrina, seguindo assim o que ensina e prega a Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa.
Sou Cristão Ortodoxo: Porque creio exatamente no que os Apóstolos ensinaram.



Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 16h57
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21/01/2010
A HISTÓRIA DA IGREJA ORTODOXA

POR REVERDENO CONSTANTINE CALLINIKOS

TRADUÇÃO: Rev Pedro Oliveira Junior.

Introdução.


Este livro é um da série que foi iniciada pela Santa Metrópole de Thyateira com a publicação do Catecismo Ortodoxo Grego. Este breve esboço da História da Igreja Ortodoxa pretende dirigir-se assim como a série mencionada, principalmente para Cristãos Ortodoxos, que tendo nascido em países onde sua língua mãe não é falada, ter mais facilidade em compreender na linguagem do país de sua adoção. Este livro não pretende ser de uso exclusivo para crianças aprenderem o catecismo, mas sim pretende ser do interesse de cristãos ortodoxos, que desejam ter um breve mas confiável relato da evolução da Igreja Ortodoxa através dos séculos da Era Cristã. Além disso, acreditamos que, apesar de existirem algumas obras em Inglês que tratam de maneira geral da Igreja Ortodoxa, este livro é o primeiro que contém uma breve história da Igreja Ortodoxa, o trabalho de um Erudito Ortodoxo, cai em mãos de leitores da língua Inglesa. É um livro que toca em todos os períodos da sua história e, acima de tudo, no último período, que, em sua maior parte, não foi estudado pelos não-Ortodoxos. As relações próximas que especialmente no passado recente, se desenvolveram entre as duas Igrejas, a Ortodoxa e a Anglicana, e os recentes contatos estabelecidos entre elas na Conferência de Lambeth, tornam o contexto desse livro, em tratando das projeções futuras da Igreja Ortodoxa interessante e atual.

A Compilação nesse trabalho foi confiado pela Santa Metrópole de Thyateira ao Vigário da Igreja Grega em Manchester, o Reverendo Constantino Callinicos, autor de muitos escritos religiosos e teológicos notáveis. Na recente publicação de um importante "Comentário sobre os Salmos," ele recebeu um sinal de honra das mãos do Patriarcado Ecumênico que lhe outorgou o título, de rara distinção na Igreja Ortodoxa, "Grande Economo da Grande Igreja." O Reverendo Callinicos cumpriu a tarefa que lhe foi confiada com grande perícia. Não só ele se absteve de insistir em questões que ainda que incluídas na vida e história da Igreja, não tem relação imediata com sua natureza essencial; ele também se recusou a meramente recolher material que é facilmente obtenível nos escritos históricos de outras Igrejas. Seu profundo amor pela, e devoção à Igreja Ortodoxa, sua insistência na verdade histórica e acuracia, e, finalmente seu estilo polido de escrever, são características do presente trabalho do autor, assim como de todos os seus trabalhos.

A tradução para o Inglês foi conduzida zelosamente por Miss Natzio. O fato de que essa Senhora nasceu e foi criada na Inglaterra, e tem uma carreira de sucesso na Universidade da Inglaterra (B.A. e B.Utt. Oxford), tem, em si, a garantia de uma tradução acurada e perfeita. A ambos, autor e tradutora, portanto, expressamos nossos calorosos aagradecimentos e damos nossa benção.

É nossa esperança, que esse livro, preenchendo o propósito para o qual foi escrito, possa ajudar a tornar a Igreja Ortodoxa mais amplamente conhecida; — uma Igreja que, no passado, aguou a árvore do Cristianismo quando ela primeiro foi plantada nessa terra com o sangue de seus mártires, e ainda hoje tem mártires para mostrar sua luta contra os poderes que se colocam contra sua existência verdadeira.

+ O Metropolita de Thyateira, Germanos

Londres, Domingo de Ramos, 1931

Parte l
Tempos Antigos (A.D. 33-700)

1. Os Primeiros Pregadores do Evangelho

A Comunidade Cristã em Jerusalém.

A história da Igreja começa no dia de Pentecostes, que por essa razão tem sido chamado de aniversário da Igreja. Naquele dia, a presença de cento e vinte pessoas, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, e eles começaram a falar em diversas línguas, de modo que Judeus de longe que estavam morando em Jerusalém, ficaram espantados com a súbita transformação de homens que ainda ontem eram simples pescadores. Mas o apóstolo Pedro, levantando-se no meio deles, explicou que essa transformação era devida a Jesus o Nazareno, que apesar de crucificado pelos judeus, tinha ressuscitado pelo poder de Deus. E naquele mesmo dia tres mil almas se juntaram à nova fé. Alguns dias depois, quando Pedro e João estavam a caminho do templo para rezar, um pedinte aleijado que estava deitado no templo pediu esmola a eles: "Prata ou ouro não tenho nenhum," disse Pedro; "mas posso dar tal a ti: em nome de Jesus Cristo de Nazareth, levanta-te e anda." O homem aleijado foi curado e Pedro, segurando-o pela mão, mostrou-o para a multidão atônita que amontoou-se para ver o milagre, como um testemunho do poder de Cristo. E os tres mil fiéis de antes tornaram-se cinco mil.

Estevão, o Primeiro Mártir.

Assim, os primeiros seguidores do Cristo crucificado cresceram aos saltos, e formaram a primeira comunidade Cristã em Jerusalém. Unidos por laços de amor mútuo, como nunca havia sido visto antes, eles comiam em mesas comunitárias e sob a supervisão geral dos apóstolos e tinham todas as suas posses em comum. Mas logo, no entanto, os Apóstolos não eram mas capazes de atender as necessidades materiais e espirituais de tantos milhares de almas; então, mantendo para si o ministério espiritual, indicaram sete diáconos para organizar o aprovisionamento da comunidade. Destacava-se entre os sete por sabedoria e santidade Estevão. Cheio de santo zêlo, ele renunciou os judeus por sua surdez para a voz do Senhor, que ficaram enraivecidos, e acusaram-no de blasfêmia, condenando-o à morte por apedramento. "Senhor Jesus, recebe meu espírito!" foram suas palavras antes da morte.

A Conversão de Saulo.

A morte de Estevão o Mártir foi o sinal de partida para uma grande perseguição contra a recém estabelecida Igreja, que era intolerável para as autoridades judias como uma apostasia da lei de Moisés. Mas essa perseguição local tornou-se vantajosa para a nova fé, porque seu efeito for espalhar os irmãos de Jerusalem, onde até então eles estavam confinados, enviando-os para carregar as sementes do evangelho não só para outras cidades da Judéia, mas tambem para a Samaria, Fenícia e Chipre, e até para Antioquia, onde pela primeira vez os fiéis ao Cristo foram chamados de Cristãos. Foi também a morte de Estevão, que primeiro pôs em evidência Saulo, então ainda um fanático fariseu, que atacava selvagemente a Igreja Cristã, mas que estava divinamente indicado para tornar-se o mais ardoroso e frutificante dos Apóstolos do Senhor. Sua conversão para o Cristianismo ocorreu no ano 35 D.C. fora de Damasco. Uma grande luz brilhou subitamente cercando-o, e a voz do Salvador soou em seus ouvidos: "Saulo, Saulo, porque me persegues. É duro para ti recalcitrar contra os aguilhões. "Então ele foi batizado, mudando seu nome de Saulo para Paulo; os Apóstolos o receberam em sua fraternidade, e, cercado por perigos e perseguições, ele embarcou naquelas grandes e missionárias jornadas que fariam do Cristianismo uma fé universal.

As Jornadas do Apóstolo Paulo.

Em sua primeira jornada missionária (45-51), Paulo saiu de Antióquia na Síria e após visitar em um turno Seleucia, Chipre, Perga em Panfilia, Antioquia em Pisidia, Iconio, Lysdra e Derbe, ele então, retornou para seu ponto-de-partida para logo depois atender o Sinodo Apostólico em Jerusalém, onde ele defendeu a independência do Cristianismo das formas e cerimônias prescritas pela lei Mosaica, Sua segunda jornada missionária (53-55) foi feita com o intuito de visitar e reforçar na fé as comunidades estabelecidas recentemente, mas seu zêlo dirigiu-o para Troas, no lado mais distante da Asia Menor, onde ele tomou um barco para a Europa e fundou as Igrejas de Filipo, Amfipolis, Apolônia, Tessalônica, Berea, Atenas e Corinto. E na sua terceira jornada missionária (56-59), Paulo adotou por algum tempo como seu quartel general a grande cidade de Efeso na Asia Menor, para desgôsto dos devotos de de Diana. De lá, prosseguiu para visitar as comunidades recem-fundadas na Macedônia e na Grécia, e no seu caminho de volta pregou o Evangelho em Metilene, Chios, Samos, Mileto, Cos, Rhodes e Tiro na Tenícia, retornando à Jerusalém pelo caminho da Cesaréia.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Pastor quer angariar R$ 1 bilhão de Reais

Eu já ví muitas coisas neste mundo, gente orando depois de receber suborno, pastor com dinheiro na cueca no aeroporto e mais tantas outras desagradáveis notícias.
Esta é uma notícia para deixar qualquer ser humano com mais de 2 neurônios assustado. A que ponto chega a ganância destes pastores?
O Pastor Silas Malfaia, tem a cifra dele, 1 Bilhão de reais. Esta cifra é incrível, para que você tenha comparativo é, por exemplo, 50% do valor total do PIB de 2008 do estado de Roraima e quase 30% dos PIBs do Amapá e Acre, respectivamente.
É incrível o quanto eles são gananciosos e quanto as pessoas podem ser estúpidas.
Essa é a mensagem que consta no site: "O nosso objetivo é a conquista de vidas para o Reino de Deus. Faça parte do Clube de 1 milhão de almas, dando uma oferta voluntária no valor de R$ 1.000,00 (MIL REAIS), que nos ajudará com os programas de televisão, que temos no Brasil e em outras nações, e a realização de cruzadas e congressos evangelísticos. Com certeza, PODEREMOS CONQUISTAR EM POUCO TEMPO 1 MILHÃO DE PESSOAS PARA CRISTO!"
E não precisa se preocupar caso não tenha o valor na íntegra, segundo o Pastor Silas, você pode parcelar em até 6X no cartão de crédito!
Quando acessei o site, para entender melhor a proposta de salvar estas almas, eles haviam recebido/salvado, apenas 174 almas, ou seja, ganharam só R$ 174.000,00, um crime!
Vamos todos ajudar o Silas e doar esse pequeno valor (R$1.000,00).
Sinceramente, estou tão abismado com este site que, fiquei sem palavras para expressar o que passou pela minha cabeça quando lí. Claro que palavras como estúpidos, ignorantes, iletrados, passaram pelo meu pensamento, mas acredito que mais do que isso, é um sentimento de, quantas coisas poderiam ser feitas com este dinheiro, por exemplo:
1- Poderiam ser construídas 45.454 casas populares
2- Poderiam ser construídos 3 Hospitais de ponta com 250 leitos.
3- Poderiam ser compradas 10.000 ambulâncias equipadas com UTI
Isso são só alguns exemplos de quão vultuosa é esta quantia.
Se vocês quiserem conhecer o site Associação Vitória em Cristo

domingo, 11 de julho de 2010

Regras para uma vida piedosa

Obrigue-se a acordar cedo, numa hora previamente marcada.

Tão logo levante, volte sua mente para Deus. Faça o sinal da cruz, e agradeça-lhe pela noite que passou e por todos os seus dons em seu favor.

Peça-lhe para guiar todos os seus pensamentos, sentimentos e desejos de forma que tudo o que você disse ou desejar seja agradável a Ele.

Enquanto se arruma, perceba a presença do Senhor e de seu anjo da guarda. Peça ao Senhor Jesus Cristo para lhe colocar o manto da salvação.

Depois de banhar-se, recolha-se nas orações matinais.

Reze ajoelhado, com concentração, reverência e simplicidade, como‚ adequado diante dos olhos do Altíssimo.

Peça que lhe dê fé‚ esperança e prática da caridade, como também resignação para aceitar tudo o que o dia que chegou possa trazer - suas dificuldades e problemas.

Peça-lhe que abençoe as suas atividades.

Peça-lhe ajuda: para realizar aquela tarefa especialmente desagradável que lhe espera, para evitar de maneira especial um determinado pecado.

Se puder, leia algum trecho da bíblia, especialmente do Novo Testamento ou do Livro dos Salmos.

Leia com o desejo de receber luz espiritual, inclinando seu coração para reconhecer seus pecados e deles se arrepender.

Tendo lido um pouco, pare e reflita sobre o que leu; e leia mais um pouco, escutando aquilo que o Senhor sugere ao seu coração.

Tente reservar ao menos quinze minutos para contemplar espiritualmente os ensinamentos da fé‚ e tirar proveito espiritual do que tiver lido.

Sempre agradeça ao Senhor que não lhe deixa perecer em seus pecados, mas cuida de você e de todas as maneiras possíveis o conduz para o seu reino celestial.

Comece o dia como você tivesse acabado de decidir tornar-se cristão e viver de acordo com os mandamento de Deus.

Ao cumprir sua obrigações, esforce-se para que tudo seja feito para a glória de Deus.

Nada comece sem orar, pois tudo o que fazemos sem rezar depois mostra-se improdutivo ou incompleto. As palavras do Senhor são verdadeiras: "Sem mim, nada podeis fazer."

Imite Nosso Senhor, que trabalhou ajudando José e sua puríssima Mãe. Enquanto trabalha, mantenha-se em bom estado de espírito, sempre contando com a ajuda do Senhor.

É bom repetir sem cessar a oração: "Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim, pecador."

Se suas atividades têm sucesso, agradeça a Deus. Se não, coloque-se no Seu arbítrio, pois Ele cuida de você e tudo direciona para o melhor. Aceite as dificuldades como uma penitência por seus pecados-em espírito de obediência e humildade.

Antes de qualquer refeição, peça que Deus abençoe a comida e a bebida; ao terminar, agradeça e peça-Lhe que não o prive de suas bênçãos espirituais. É bom deixar a mesa ainda com um pouco de fome.

Em tudo, evite excessos. Seguindo o exemplo dos antigos cristãos, jejue às quartas e sextas-feiras.

Não seja guloso. Contente-se em ter o que comer e o que vestir, imitando Cristo que veio pobre para o nosso bem.

Esforce-se por louvar ao Senhor em tudo, de forma que você não seja reprovado pela sua própria consciência.

Lembre-se: Deus sempre vê você e observa cuidadosamente os sentimentos, pensamentos e desejos do seu coração.

Evite mesmo os menores pecados, para não cair nos grandes. Tire de seu coração cada um e todo pensamento e desígnio que o leva para longe do Senhor. Lute especialmente contra os desejos impuros; tire-os do seu coração como você tiraria uma fagulha de suas roupas.

Se você não quer ficar confuso com desejos impuros, aceite humildemente ser humilhado pelos outros.

Não fale muito. Lembre-se que prestaremos contas a Deus por cada palavra que tivermos dito. É melhor ouvir que falar: falar muito torna impossível evitar pecados.

Não seja curioso para ouvir novidades, as quais apenas envolvem e distraem o espírito.

Não condene ninguém, e considere-se o pior de todos.

Quem condena os outros, está tomando para si os seus pecados.

É melhor se apiedar do pecador, e rezar para que Deus o corrija à sua maneira.

Se alguém não ouve os seus conselhos, não discuta.

Mas se os atos desse alguém são uma tentação para outros, tome atitudes corretas, pois os bem dos outros, que são muitos, pesam mais que o bem de um só.

Nunca rejeite ou invente desculpas. Seja gentil, calmo e humilde. Resista a tudo, de acordo com o exemplo de Jesus.

Ele não vai sobrecarregar você com uma cruz que exceda a sua força; e sim ajudá-lo a carregar a cruz que você tem.

Peça ao Senhor a graça de cumprir seus santos mandamentos da melhor maneira que puder, mesmo se pareçam muito difíceis de observar.

Agindo bem, não espere gratidão, mas tentação: pois o amor a Deus é testado pelos obstáculos. Não espere adquirir alguma virtude sem sofrimento.

No meio das tentações, não desespere, mas dirija-se a Deus com pequenas orações: "Senhor, me ajude... Ensina-me a... Não deixe-me... Proteje-me..." O Senhor sempre permite tentações e provações. Ele também dá a força para superá-las.

Peça a Deus para tirar de você tudo o que alimenta seu orgulho, mesmo que isso seja amargo.

Evite ser áspero, aborrecido, desanimado, desconfiado, suspeitoso ou hipócrita, e evite a rivalidade. Seja sincero e simples em suas atitudes.

Humildemente aceite os conselhos dos outros, mesmo se você conhece mais e é mais experiente.

O que você não quer que seja feito para você, não faça para os outros. Ao invés, faça aos outros aquilo que você queria que fizessem para você.

Se alguém lhe visita, seja atencioso com ele.

Seja modesto, sensato e, às vezes, dependendo das circunstâncias, seja também cego e surdo.

Quando se sentir mole ou resfriado, não deixe de realizar suas habituais orações e práticas piedosas.

Tudo o que você faz em nome do Senhor Jesus, mesmo as menores e imperfeitas coisas, tornam-se um ato de piedade.

Se você quer encontrar paz, confie-se inteiramente a Deus. Você não encontrará paz até que repouse em Deus, amando somente a Ele.

De vez em quando, isole-se, seguindo o exemplo de Jesus, para orar e contemplar Deus. Contemple o infinito amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, seus sofrimentos e morte, sua ressurreição, sua Segunda vinda e o Juízo Final.

Vá à Igreja tanto quanto possível. Confesse-se mais freqüentemente e receba os santos mistérios. Fazendo isso, você aproxima-se de Deus, e essa é a maior bênção.

Durante a confissão, reconheça e confesse abertamente e com contrição todos os seus pecados, pois os pecados não reconhecidos levam à morte.

Dedique os domingos para obras de caridade e misericórdia. Por exemplo, visite alguém doente, console quem estiver sofrendo, salve quem estiver perdido. Se alguém ajuda o perdido a encontrar Deus receberá uma grande recompensa nesta vida e no mundo futuro.

Estimule seus amigos a ler literatura espiritual cristã e a debater temas espirituais.

Deixe Cristo Jesus, o Senhor, ser seu mestre em tudo. Constantemente recorra a Ele, voltando sua mente a Ele; pergunte a si mesmo: "O quê Ele faria em similar circunstâncias?."

Antes de ir dormir, reze abertamente e com todo o coração, examinando os pecados cometidos durante o dia que passou.

Condicione-se a reconhecer seus pecados com coração contrito, com sofrimento e lágrimas, para que não repita os pecados cometidos.

Ao ir para a cama, faça o sinal da cruz, beije a cruz e confie-se ao Senhor Deus, que é o seu bom Pastor.

Considere que talvez você possa encará-lo nesta noite.

Recorde-se do amor do Senhor para com você e ame-O com todo o seu coração, sua alma e sua mente.

Agindo assim, você alcançará a vida abençoada no reino da eterna luz.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com você. Amém.



Platon Arcebispo de Kostroma e Bispo Alexander (Mileant).

Tradução para o Português de Balark de Sa Peixoto Junior.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Padre Nota 10

domingo, 20 de junho de 2010

Padre nota 10...

NOTA DEZ. Esse Frade falou em nome de todos os cristãos.

Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causadora da desgraça dos pequenos e pobres.




Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP

Check out Theologically Thinking

I want you to take a look at: Theologically Thinking 

domingo, 13 de junho de 2010


Introdução a Igreja Ortodoxa

Esse pequeno artigo faz parte da The Orthodox Study Bible e foi traduzido pelo amigo José Lauro Strapason. Apesar de ser bem simples, esse pequeno artigo nos dá um panorama do que é a Igreja Ortodoxa.

Introdução a Igreja Ortodoxa

A publicação da "Bíblia de Estudo Ortodoxa" levanta uma questão: o que é exatamente a Igreja Ortodoxa? Muitas pessoas ouviram da Igreja Ortodoxa Russa, que comemorou seus milésimo aniversário em 1988, ou a Igreja Ortodoxa Grega, que nasceu séculos antes. Mas a Ortodoxia em si-o que é, e quais são suas raízes históricas?

A Igreja no Novo Testamento.


Para responder esta questão, volte as páginas do Novo Testamento, especificamente ao Livro dos Atos dos Apóstolos e o nascimento da Igreja em Pentecostes. Naquele dia o Espírito Santo desceu sobre os Doze Apóstolos e aquelas reunidos na sala mais alta, e pela tarde cerca de três mil almas acreditaram em Cristo e foram batizadas. As Escrituras registram que quando a primeira comunidade cristã começou, "eles preservaram na doutrina dos Apóstolos e no seguimento, na partilha do pão, e nas orações" (Atos 2,42).

De Jerusalém, a fé em Cristo se espalhou por toda a Judéia, para Samaria (Atos 8,5-39), para Antioquia e aos Gentios (Atos 11,19-26). Logo houve novos convertidos e novas igrejas pela Ásia menor e Império romano como registrado nos Atos e nas Epístolas.

A Igreja, é claro, não era simplesmente uma outra organização na sociedade romana. O Senhor Jesus Cristo havia dado a promessa do Espírito Santo para "vos guiar em toda a verdade" (João 16,13) com o cumprimento desta promessa começando em Pentecostes, a Igreja tem mais que um condição meramente institucional. Ela não é uma organização com mistérios, mas um mistério com organização. São Paulo chama a Igreja de "local de morada de Deus pelo Espírito" (Ef. 2,22). A Igreja é um organismo dinâmica, o corpo vivo de Jesus Cristo. Ela causa um impacto indelével no mundo, e os que vivem em Sua vida e fé são pessoalmente transformados.

Mas o Novo Testamento também revela que a Igreja também teve sua quantia de problemas. Nem tudo era perfeito. Algumas pessoas dentro da Igreja mesmo buscaram levar Ela fora do caminho que os apóstolos estabeleceram, e eles tiveram que serem tratados juntos com os erros que eles inventaram. Mesmo comunidades locais inteiras erraram em ocasiões e foram chamadas ao arrependimento. A igreja em Laodicéia é um exemplo vivo (Ap 3,14-22). A disciplina foi administrada pelo amor da pureza na Igreja. Mas houve crescimento e maturação, mesmo a Igreja sendo atacada por dentro e por fora. O mesmo Espírito que lhe deu o nascimento, deu a Ela poder para pureza e correção, e Ela cresceu forte invadindo todo o Império Romano.

Os Primeiros Séculos

Como a Igreja se move das páginas do Novo Testamento e adentro dos séculos seguintes de Sua história, seu crescimento e desenvolvimento pode ser traçado em termos de categorias específicas. A primeira é uma categoria importante para todo o povo cristão: doutrina. Ela manteve a verdade de Deus como dada por Cristo e Seus Apóstolos? Segundo, e quanto ao culto? Existe um caminho claro em que o povo de Deus tem oferecido um sacrifício de louvor e ação de graças a Ele? Terceiro, a respeito do governo da Igreja. Que tipo de política tem a Igreja praticado?

1. Doutrina: Não apenas a Igreja começou sob o ensinamento dos Apóstolos mas Ela também foi instruída para "ficar inabalável e guardar firmemente as tradições que vos foram ensinadas, de viva voz ou por carta" (2Ts 2,15). O Apóstolo Paulo insistiu que aquelas dadas por ele e por seus colegas apóstolos, tanto pessoalmente como em escrito que haveriam de serem chamadas de Novo Testamento, fossem aderidas com cuidado. Assim seguindo tais avisos apropriados como "em nome de nosso Senhor Jesus Cristo... retirai-vos de todo irmão que anda desordenadamente, e não de acordo com a tradição que ele recebeu de nós" (2 Ts 3,6).

As doutrinas ensinadas por Cristo e Seus discípulos são para serem salvaguardadas pela "Igreja do Deus vivo, a coluna e sustentáculo da verdade" (1 Tm 3,15) e não estão abertas para renegociação. E a Igreja ainda era jovem quando um modo foi encontrado para providenciar esta salvaguarda.

Pela metade do primeiro século, uma disputa se levanta em Antioquia sobre a aderência das leis do Antigo Testamento. A matéria não podia ser resolvida lá (Antioquia); ajuda de fora foi necessária. Os líderes da Igreja de Antioquia, a comunidade que havia primeiramente despachado Paulo e Barnabé como missionários, trouxe a matéria à Jerusalém para ser considerada pelos apóstolos e anciãos lá. A matéria foi discutida, debatida, e uma decisão escrita foi dada para o futuro.

Tiago, irmão do Senhor e primeiro bispo de Jerusalém, avançou a solução do problema. Esta determinação, concordada por todos no que é conhecido como Concílio (Apostólico) de Jerusalém (At 15,1-35), fixou o padrão o uso dos concílios da Igreja nos séculos vindouros para resolver as questões doutrinárias e morais que aparecem. Assim, pela história da Igreja, nós achamos contagens de tais concílios em vários níveis para resolver matérias de disputa e para tratar com aqueles que não aderiam a fé apostólica.

Os primeiros três séculos da história cristã foram também marcados pela aparição de certas heresias ou ensinamentos falsos tais como esquemas filosóficos secretos para a elite (Gnosticismo), deslumbrantes aberrações proféticas (Montanismo) e graves erros a respeito das Três Pessoas da Trindade (Sabelianismo). Então, no inicio do quarto século, uma heresia com potencial para um largo rompimento na Igreja apareceu, propagada por um tal de Ario, um padre em Alexandria, Egito. Ele negou a eternidade do Filho de Deus, clamando contrariamente a doutrina dos apóstolos que o Filho era uma criatura que veio a existência num dado momento do tempo, sendo assim não era o verdadeiro Deus.

Este erro mortal atingiu a Igreja como um câncer. Tumulto se espalhou quase em toda parte. O primeiro grande Concílio da Igreja, ou Ecumênico, se reuniu em Nicéia em 325 para tratar deste assunto. Alguns 318 bispos, juntos com muitos padres, diáconos, e leigos rejeitaram o novo ensinamento de Ario e seus associados, mantendo a doutrina dos apóstolos de Cristo, afirmando a eternidade do Filho de Deus e Sua consubstancialidade com o Pai. Sua proclamação do ensino apostólico a respeito de Cristo incluiu um Credo, que, com as adições a respeito do Espírito Santo feitas em 381 no Concílio de Constantinopla, forma o documento conhecido hoje como o Credo Niceno.

Entre os anos 325 e 787, sete tais grandes conclaves da Igreja ocorreram, se reunindo nas cidades de Nicéia, Éfeso, Calcedônia e Constantinopla. Conhecidos como os Sete Concílios Ecumênicos, todos trataram primeiramente e principalmente com alguns específicos desafios ao ensinamento apostólico a respeito de Jesus Cristo. O Terceiro Concílio Ecumênico (431), por exemplo, condenou os Nestorianos-aqueles que dividiriam Cristo em duas pessoas, uma humana e a outra divina. Os Nestorianos estavam concentrados na Pérsia e para o oriente, e quando alguns dos bispos nestorianos não aceitaram a decisão do Concílio, a Igreja experimentou seu primeiro cisma territorial. Evangelisticamente ativa, os Nestorianos formaram comunidades na Arábia, Índia e tão longe quanto a China. Um remanescente ainda existe precariamente no Curdistão, Iraque, Síria e nos Estados Unidos.

Entre as matérias tratadas pelo Quarto Concílio Ecumênico (451) estava a heresia dos Monofisitas, que clamaram que havia apenas uma natureza em Cristo. Alguns clamaram que as duas naturezas de Cristo estavam unidas em uma, fazendo Ele nem Deus nem homem. Outros acreditaram que a natureza divina tinha engolido a natureza humana, e ainda outros Monofisitas acreditaram que o Filho havia deixado Sua natureza divina para trás quando se tornou homem.

A Igreja Monofisita ainda existe na Síria, Armênia, e Egito. Existem, entretanto, novidades encorajadoras porque as igrejas que partiram após o Concílio trabalharam num acordo com a Igreja Ortodoxa, satisfazendo os teólogos ortodoxos com sua correção de doutrina. Conseqüentemente, uma ruptura de cerca de 1500 anos está na beira de ser curada.

Pelos primeiros mil anos da história cristã, a Igreja inteira, salvo pelos hereges, abraçou e defendeu a fé apostólica do Novo Testamento. Não houve divisão conseqüente. Esta unica fé foi preservada através dos julgamentos, ataques e testes, esta doutrina apostólica é chamada de "a Fé Ortodoxa".

2. Culto: A pureza doutrinal foi tenaciosamente mantida, mas a verdadeira cristandade é muito mais do que apenas a adesão a um conjunto correto de crenças. A vida da Igreja é é centralmente expressa em seu culto e adoração de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Jesus mesmo disse a mulher ao poço, "esta chegando a hora, e é agora, que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque o Pai busca tal tipo de adoradores" (Jo 4, 23)

Na ultima ceia, Jesus instituiu a Eucaristia, o serviço da comunhão quando Ele tomou pão e vinho, deu a benção e disse aos Seus discípulos "Este é meu corpo que é dado por vós, fazei isto em memória de Mim" e "Este cálice é o Novo Testamento em Meu sangue, que é derramado por vós" (Lc 22;19,20). A Igreja participou na comunhão ao menos a cada dia do senhor (At 20,7;11). De fontes do primeiro e segundo século tais como a Didaqué, as cartas de Santo Inácio de Antioquia e os escritos de São Justino Mártir, nós temos certeza que a Eucaristia é o exato centro da adoração cristã da era apostólica em diante.

Também, assim como a Lei, os Salmos, e os Provérbios eram lidos no culto no templo e nas sinagogas em Israel, assim a Igreja deu imediatamente alta prioridade a leitura publica da escritura em seu culto, assim como a ceia eucarística.

Mesmo antes da metade do primeiro século, o culto cristão foi conhecido com o termo liturgia que literalmente significa "o trabalho comum" ou "o trabalho do povo". A antiga liturgia de culto da Igreja era composta era composta de duas partes essenciais: (1) A liturgia da palavra, incluindo hinos, leitura das Escrituras, e pregações e (2) a liturgia dos fiéis, composta de orações de intercessão, o beijo da paz, e a Eucaristia. Desde virtualmente o inicio, o culto cristão tem uma forma definida que continua até o dia de hoje.

Cristãos modernos que defendem liberdade da liturgia no culto ficam algumas vezes surpresos ao saber que a espontaneidade nunca foi a pratica na Igreja antiga! Uma forma básica do culto cristão foi observada desde o inicio, e, a medida que a Igreja cresceu e amadureceu, a liturgia amadureceu também. Hinos, leitura das Escrituras, e orações foram entrelaçados na fundação básica. Uma clara, propositada procissão pelo ano foi estabelecida que marcou e uniu em palavra, canto e oração o nascimento, ministério, morte, Ressurreição, e Ascensão do Senhor Jesus Cristo, e santificou aspectos cruciais da vida e experiência cristã. A vida cristã era vivida em realidade no culto da Igreja. Muito longe de ser apenas uma rotina chata, o culto ritual da Igreja histórica participou no drama desdobrante das riquezas e mistérios próprio Evangelho!

Mais ainda, marcos específicos em nossa salvação e caminhada com Cristo foram celebrados e santificados. Batismo e a unção com o óleo, ou crisma, estavam lá desde o inicio. Matrimônio, cura, confissão dos pecados, e ordenação ao ministério do Evangelho são outros ritos primitivos na Igreja. Em cada uma destas ocasiões os cristãos entenderam que em um grande mistério, graça e poder de Deus estavam sendo dados de acordo com as necessidades individuais de cada pessoa. A Igreja viu estes eventos como momentos santos em sua vida e os chamou de mistérios ou sacramentos.

3. Governo:


Ninguém seriamente questiona se os Apóstolos de Cristo governaram a Igreja em seu começo. Foi lhes dado o mandamento de pregar o Evangelho (Mt 28,19-20) e a autoridade para perdoar ou manter os pecados (Jo 20,23). A missão deles não era de modo algum de pregação! Eles construíram a Igreja sob a liderança de Cristo. Para governar ela, ofícios definidos e permanentes, como ensinado no Novo Testamento, estavam em evidência.

a. O ofício do bispo: Os próprios apóstolos foram os primeiros bispos na Igreja. Mesmo antes de Pentecostes, após Judas se tornar traidor, Pedro declarou aplicando o Salmo 109,8 "Que outro pegue seu ofício" (Atos 1,20). Isto se refere, obviamente, ao ofício de bispo.

Alguns erroneamente argumentaram que o ofício de bispo uma invenção posterior. Muito ao contrário, os apóstolos eram eles mesmos bispos, e apontaram bispos para sucederem eles para levar a Igreja em cada localidade.

Ocasionalmente, a objeção ainda é ouvida que o ofício de bispo e presbítero eram originalmente idênticos. Os termos são usados ao mesmo tempo no Novo Testamento enquanto os apóstolos estavam presentes, com um bispo sendo o ancião presidindo uma igreja local. Após a morte dos apóstolos, os ofícios de bispo e presbítero se tornaram distintos pela Igreja. Inácio de Antioquia, consagrado bispo pelo ano 70AD na Igreja em que Paulo e Barnabé foram enviados, escreve logo após a virada do século que bispos apontados pelos apóstolos, rodeados por seus presbíteros, estavam por toda parte na Igreja.

b. O ofício do presbítero: Anciãos e presbíteros são mencionados bem no inicio na vida da Igreja nos Atos e nas Epístolas. Evidentemente em cada lugar em que uma comunidade cristã se desenvolveu, anciãos foram apontados pelos apóstolos para pastorear o povo.

Na medida em que o tempo passou, os presbíteros passaram a serem designados na forma curta da palavra como "padres", ao invés de "sacerdotes" (N.T. "prests" e "priests" no original), na completa visão do fato que o sacerdócio da Antiga Aliança havia sido completado em Cristo e que a Igreja é corporalmente um sacerdócio de crentes. O padre não foi entendido como um intermediário entre Deus e o povo e nem um dispenseiro de graça. O papel do padre era ser a presença de Cristo na comunidade cristã, e na exata capacidade de ser a presença do Pastor Chefe, o padre estava para guardar o povo de Deus.

c. O ofício do diácono: O terceiro grau de ordem ou ofício no governo da Igreja do Novo Testamento era o diácono. Primeiramente os apóstolos preenchiam esta tarefa eles mesmos, mas com o rápido crescimento da Igreja, sete diáconos iniciais foram selecionados (Atos 6,1-7) para ajudar a manter a responsabilidade do serviço aos necessitados. Um dos diáconos, Estevão, se tornou o primeiro mártir da Igreja.

Através dos séculos, os diáconos não serviram apenas as necessidades materiais da Igreja mas tiveram um papel vital na vida litúrgica da Igreja também. Freqüentemente chamados os "olhos e ouvidos do bispo", muitos diáconos se tornaram padres e por ultimo entraram no ofício episcopal.

A autoridade do bispo, padre e diácono não foi no passado entendida entendida como estando separada do povo mas sempre entre o povo. Por sua vez o povo de Deus foi chamado a se submeter a aqueles que governavam sobre eles (Hb 13,17), e eles também foram chamados para darem sua concordância à direção dos líderes da Igreja. Em um número de ocasiões da história, este "Amém" não foi imediato, e os bispos da Igreja tomaram nota e mudaram de curso. Mais tarde na história, muitos líderes da Igreja deixaram o antigo modelo e usurparam autoridade para si mesmos. No meio de alguns, isto levou o modelo ancião a ser questionado, mas o problema não estava no modelo. Estava no desvio.

Também foi o ministério dos apóstolos que trouxe o povo de Deus junto como laicado. Longe de ser apenas observadores, o laicado é vital na efetividade da Igreja. Eles são os recipientes e usuários ativos dos dons e graças do Espírito. Cada membro do laicado tem um papel na vida e função da Igreja. Cada um deve suprir alguma coisa ao todo (1 Cor 12,7). A responsabilidade dos bispos, dos padres, e diáconos é ter certeza que isto é uma realidade para os leigos.

O culto da Igreja no fim de seus primeiros mil anos tinha substancialmente a mesma forma de lugar para lugar. A doutrina era a mesma. A Igreja toda confessava um Credo, o mesmo em toda parte, e havia resistido a muitos ataques. O governo da Igreja era reconhecido em toda parte, e esta Igreja Una era a Igreja Ortodoxa.

Desentendimentos entre Ocidente e Oriente

Tensões começaram a se amontoar na medida em que o primeiro milênio encerrava. Enquanto numerosos fatores doutrinários, políticos, econômicos e culturais estavam trabalhando para separar a Igreja numa divisão Oriente-Ocidente, dois maiores assuntos emergiram sobre os outros: (1) que um homem, o Papa de Roma, considerou a si mesmo o bispo universal da Igreja e (2) a adição de uma cláusula nova ao credo da Igreja.

1. O Papado: Entre os Doze, São Pedro foi desde o início reconhecido como o líder. Ele foi o porta voz dos Doze antes e depois de Pentecostes. Ele foi o primeiro bispo de Antioquia e depois bispo de Roma. Ninguém duvida de seu papel.

Após a morte dos apóstolos, na medida que a liderança na Igreja se desenvolveu, o bispo de Roma veio a ser reconhecido como primeiro em honra, apesar de todos os bispos serem iguais. Mas após cerca de trezentos anos, o bispo de Roma vagarosamente começou a assumir um papel de superioridade sobre os outros, por ultimo clamando ser o único verdadeiro sucessor de Pedro. A vasta maioria dos outros bispos da Igreja nunca questionou a primazia de honra de Roma, mas eles patentemente rejeitaram os clamores do bispo de Roma de ser a cabeça universal da Igreja na terra. Esta suposição do poder papal se tornou um fator maior em separar a Igreja Romana, e todos os que ela pode reunir com ela, da Igreja Ortodoxa histórica.

2. A Adição ao Credo: Um desentendimento a respeito do Espírito Santo também começou a se desenvolver na Igreja. O Espírito Santo procede do Pai? Ou Ele procede do Pai e do Filho?

Nosso Senhor Jesus Cristo ensina, "Mas quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim" (Jo 15,26). Esta é a declaração básica no Novo Testamento a respeito da "procedência" do Espírito Santo, e é claro: Ele "procede do Pai". Assim, quando o antigo Concílio em Constantinopla (381) reafirmando o Credo de Nicéia (325), expandiu aquele Credo proclamando estas palavras familiares: "E no Espírito Santo, o Senhor Vivificante, Que procede do Pai, Que é adorado e glorificado junto com o Pai e o Filho...".

Duzentos anos depois, entretanto, em um concílio local em Toledo, Espanha, (589), o Rei Ricardo declarou, "O Espírito Santo também deve ser confessado e ensinado por nós procedendo do Pai e do Filho." O rei pode ter tentado dizer bem, mas ele estava contradizendo o ensinamento de Jesus, confessado pela Igreja inteira, a respeito do Espírito Santo. Infelizmente, o concílio local espanhol concordou com este erro, e, séculos depois, na quilo que foi ao menos parcialmente um um movimento motivado politicamente, o papa de Roma unilateralmente alterou o Credo universal da Igreja sem um concílio ecumênico. Apesar desta mudança ter sido inicialmente rejeitada tanto no oriente como no ocidente mesmo pelos bispos vizinhos mais próximos do papa, o papa conseguiu eventualmente que todo o ocidente capitulasse. A conseqüência, é claro, na Igreja do Ocidente foi a tendência de relegar o Espírito Santo a um lugar menor do que Deus o Pai e Deus o Filho. A mudança pode parecer pequena, mas as conseqüências se mostraram desastrosamente imensas. Este assunto, com o Papa partindo da doutrina Ortodoxa da Igreja, se tornou outra causa instrumental separando a Igreja Romana da Igreja Ortodoxa histórica, a Igreja do Novo Testamento.

O Grande Cisma

Conflito entre o Papa de Roma e o Oriente montado-especialmente nas atitudes do papa com o bispo, ou patriarca de Constantinopla. O papa indo mesmo muito longe ao ponto de clamar a autoridade para decidir quem deveria ser o patriarca de Constantinopla em notável violação de precedente histórico. Não mais operando dentro do governo da Igreja do Novo Testamento, o papa pareceu estar procurando por meios políticos trazer toda a Igreja sob seu domínio.

Intrigas bizarras se seguiram, uma atrás da outra, como uma série de papas romanos procurando este firme objetivo de tentar controlar toda a cristandade. Talvez o incidente mais incrível destes esquemas políticos, religiosos, e até mesmo militares ocorreu no ano 1054. Um cardeal, mandando pelo papa, deixou um documento no altar da Igreja de Santa Sofia em Constantinopla durante a oração dominical, excomungando o Patriarca de Constantinopla da Igreja.

O papa, é claro, não tinha direito legitimo de fazer isto, mas as repercussões foram assombrosas. Alguns capítulos escuros da história da Igreja foram escritos durante as décadas seguintes. A conseqüência ultima das ações do papa foi que toda a Igreja Católica Romana terminou separada da fé do Novo Testamento da Cristandade ortodoxa. O cisma nunca foi curado.

A medida que os séculos passaram, os conflitos continuaram. Tentativas de reunião falharam e a Igreja Romana se afastou mais ainda de suas raízes históricas.

Mais Divisões no Ocidente.

Durante os séculos posteriores a 1054, a crescente distinção entre oriente e ocidente se tornou uma marca permanente na história. A Igreja oriental manteve a completeza da fé, do culto e da prática do Novo Testamento. A Igreja ocidental ou romana se atolou em muitos problemas complexos. Então, menos de cinco séculos após Roma se comprometer com sua alteração unilateral de doutrina e prática, um outro motim ocorreu-desta vez dentro dos portões ocidentais.

Apesar que muitos no ocidente haviam falado contra a prática e dominação romana no começo, agora um monge alemão pouco conhecido chamado Martinho Lutero inadevertidamente lançou um ataque contra certas práticas Católico Romanas que terminou afetando a história mundial. Sua lista de Noventa e Cinco teses foi pregada na porta da igreja em Wittenberg em 1517, sinalizando o inicio do que haveria de ser chamado a Reforma Protestante. Lutero não intencionou rompimento com Roma, mas ele não pode ser reconciliado ao seu sistema papal de governo como bem outras questões de doutrina. Ele foi excomungado em 1521, e a porta para a unidade futura no ocidente fechou batendo com um ressoante estrondo.

As reformas que Lutero buscou na Alemanha foi logo acompanhada pelas demandas de Ulrich Zwingli em Zurique, John Calvin em Genebra, e centenas de outros por toda a europa ocidental. Abastecido por fatores políticos, sociais e econômicos complexos em adição em adição aos problemas religiosos, a Reforma espalhou como um fogo furioso virtualmente em cada canto e buraco da Igreja Romana. O monopólio eclesiástico ao qual ela havia crescido acostumada foi grandemente diminuído, e massiva divisão substituiu a unidade. O efeito continuo daquela divisão aparece mesmo hoje na medida em que o movimento Protestante continua se dividindo.

Se os problemas no continente europeu já não eram suficientes, a Igreja da Inglaterra estava no processo de seguir seu próprio caminho de igual forma. Henrique VIII, entre seus problemas matrimôniais, substituiu o papa de Roma por si mesmo como cabeça da Igreja da Inglaterra. Por apenas os poucos curtos anos em que Maria estava no trono o papa novamente teve uma ascendência na Inglaterra. Elisabete I retornou a Inglaterra ao Protestantismo, e a Igreja da Inglaterra experimentaria logo ainda mais divisões.

A medida que décadas passavam no ocidente, os ramos do Protestantismo continuaram a se dividir. Houve mesmo ramos que insistiram que eles não eram nem Protestantes nem Católicos Romanos. Todos pareceram compartilhar um desgosto pelo bispo de Roma e as práticas de sua igreja, e a maioria quis uma forma menos centralizada de liderança. Enquanto alguns, como os luteranos e anglicanos, mantiveram certas formas de liturgia e sacramentos, outros, tais como as igrejas reformadas e os ainda mais radicais anabatistas e seus descendentes, questionaram e rejeitaram muitas idéias bíblicas de hierarquia, sacramento, tradição histórica, pensando que estavam se libertando apenas do Catolicismo romano. Até hoje, muitos modernos e sinceros cristãos professos irão rejeitar mesmo os os dados bíblicos que falam da prática histórica cristã, simplesmente porque eles pensam que tais práticas são "Católico romanas". Para usar um velho provérbio, eles lançaram o bebe fora com a água do banho sem mesmo se perceberem disto.

Assim, embora mantendo em graus variados porções da fundação da cristandade, nem o Protestantismo nem o Catolicismo pode reivindicar o ser a verdadeira Igreja do Novo Testamento. Ao se separar da Cristandade ortodoxa, Roma perdeu seu lugar na Igreja do Novo Testamento. Nas divisões da reforma, os Protestantes--como bem--significando como se eles estivesse estado--fracassaram em retornar a Igreja do Novo Testamento.

A Igreja Ortodoxa Hoje




Aquela Igreja original, a Igreja de Pedro, Paulo, e dos outros apóstolos-apesar de perseguição, opressão política, e deserção em certos de seus flancos-miraculosamente mantem hoje a mesma fé e forma de vida da Igreja do Novo Testamento. Admitidamente, o estilo da Ortodoxia parece complicado para o olho protestante moderno, mas dado um entendimento histórico de como a Igreja progrediu, poderá ser visto que a simples fé dos apóstolos centrada no Cristo é completamente preservada em suas doutrinas, práticas, serviços, e mesmo em sua arquitetura.

Na Ortodoxia hoje, na medida que os anos passam, as bases da doutrina cristã, culto, e governo nunca estão sujeitos a alteração. Alguém não pode ser um padre ortodoxo, por exemplo, e rejeitar a divindade de Cristo, Seu nascimento virginal, Ressurreição, Ascensão aos céus, e Segunda vinda. A Igreja simplesmente não deixou seu curso por cerca de dois mil anos. Ela é a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

A Ortodoxia é também, nas palavras de um de seus bispos, "o segredo mais bem guardado na América". Apesar de haver mais de 225 milhões de cristãos ortodoxos no mundo hoje, muitos no ocidente não são familiares com a Igreja. Na América do Norte, por exemplo, a Igreja Ortodoxa tem, até recentemente, sido largamente restrita por vínculos étnicos, não espalhando muito além das paróquias de comunidades de imigrantes que trouxeram a Igreja para as costas deste continente.

Ainda, o Espírito Santo continuou Seu trabalho, fazendo com que novas pessoas descobrissem esta Igreja do Novo Testamento. As pessoas começaram a descobrir a cristandade ortodoxa através dos escritos dos Padres da Igreja antiga e através dos humildes testemunhos dos cristãos ortodoxos contemporâneos. Um número significante de evangélicos, episcopais, e principalmente protestantes estão se tornando ortodoxos e grupos de estudantes ortodoxos estão se espalhando em diversos campi pelo mundo afora. A palavra está se espalhando a fora.

O que, então, é a Igreja Ortodoxa? Ela é a primeira Igreja Cristã na história, a Igreja fundada pelo Senhor Jesus Cristo, descrita nas páginas do Novo Testamento. Sua história pode ser traçada continuamente sem quebra para trás até Cristo e Seus Doze Apóstolos.

O que falta nas igrejas não ortodoxas--mesmo na melhor delas? Completeza. Porque a completeza da fé do Novo Testamento só é encontrada na Igreja do Novo Testamento. Estar na Igreja não garante que todos nela irão tomar vantagem da completeza da fé, mas que a completeza está lá para aqueles que o fizerem.

Para as pessoas que seriamente desejam a completeza do Cristianismo Ortodoxo, uma ação precisa ser tomada. Ter consciência desta Igreja anciã não é o suficiente. Precisa haver um retorno para esta Igreja do Novo Testamento. Em nossos dias muitas pessoas tomaram grande tempo para investigar e decidir a respeito da fé católica romana, da batista, da luterana, e assim por diante, mas relativamente poucos consideraram seriamente a Igreja Ortodoxa. Três sugestões especificas irão providenciar à aqueles interessados com meios tangíveis de se tornarem familiarizados com a cristandade ortodoxa de forma pessoal.

1. Visite: Procure por "Ortodoxa" ou "Ortodoxa Grega, Antioquina, Russa, etc" (1) na seção "Igrejas" das páginas amarelas ou pergunte a um vizinho onde fica a paróquia ortodoxa mais perto. Faça uma visita--diversas visitas. Encontre o padre, e peça a ele para o ajudar a estudar e aprender. E esteja preparado para exercitar sua paciência--as vezes uma porção da liturgia não é em português (2)! O livrinho da missa no banco irá ajudar.

N.T. (1) "Eastern Orthodox" no original. (2) Inglês no original. (3) No Brasil, você encontra endereços de paróquias ortodoxas canônicas no seguinte site:

http://www.ecclesia.com.br/igreja_ortodoxa/diretorio.html

2. Leia: Existe um bom número de livros e periódicos imensamente úteis para as pessoas procurando aprender a respeito da Igreja Ortodoxa. "The Orthodox Church" de KALLISTOS (Timothy) Ware (Penguin); For the Fife of the World de Alexander Schmemann (St. Vladimir Seminary Press); The Apostolic Fathers editado por N. Sparks (Light and Life Publishers), Becoming Orthodox por Peter E. Gilquist, e Divine Energy por Jon E. Braun e AGAIN Magazine (ambos pela Conciliar Press).

N.T. Infelizmente em português ainda não existe literatura impressa disponível (existem algumas publicadas pela Igreja Sérvia no Brasil). Mas existe material razoável na internet como em alguns blogs (existe uma lista de blogs que recomendo que coloquei na barra lateral) e em páginas como:

http://www.fatheralexander.org/

http://www.ecclesia.com.br/

3. Escreva: As pessoas na Conciliar Express (P.O. Box 76, Ben Lomond, CA 95005-0076) tem voluntariamente respondido as questões a respeito da Igreja Ortodoxa dos leitores da Bíblia de Estudos Ortodoxa e sugerido leitura adicional. Mande seu nome e endereço com um pedido de informação.

N.T. Em português sugiro a participação no orkut, facebook ou então em fóruns citados abaixo:

Apologética da Igreja Ortodoxa
Cristãos Ortodoxos no Brasil
Cristãos Ortodoxos no Brasil

A Ortodoxia Brasil

Em um dia, quando os cristãos estão percebendo novamente a centralidade e importância do culto, da Igreja como corpo de Cristo, e a necessidade de preservar a verdadeira fé cristã, as portas da Ortodoxia estão amplamente abertas. O convite é estendido para "vinde e vede". Examine sua Fé, seu culto, sua história, seu compromisso com o Cristo, seu amor para com Deus o Pai, e sua comunhão com o Espírito Santo.

Por dois mil anos a Igreja Ortodoxa tem, por misericórdia de Deus, mantida a fé dada aos santos. Dentro de suas paredes se encontra a completeza da Salvação que foi percebida quando "Deus amou o mundo de tal maneira que entregou Seu Unico Filho para que todo aquele que crê Nele não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).

sábado, 12 de junho de 2010

Cristianismo e Budismo

A Igreja Ortodoxa e as religiões orientais

Um padre cristão ortodoxo me contou que seu filho de 26 anos tomara a decisão de sair de casa e se mudar para um mosteiro budista. O padre estava desconsolado. Afinal, a Ortodoxia não era algo estranho para seu filho, nem mesmo a tradição monástica, pois o rapaz já havia visitado e se hospedado em mosteiros ortodoxos por diversas vezes. Até mesmo na Santa Montanha o rapaz esteve, por dois meses seguidos.

A transferência desse rapaz para uma tradição religiosa oriental não-cristã não é um fato isolado. As religiões orientais estão crescendo bastante na América do Norte e, hoje, representam uma força competitiva real na vida religiosa. O Budismo é atualmente o quarto maior grupo religioso dos EUA, com aproximadamente 2,5 a 3 milhões de adeptos, dos quais uns 800 mil são de americanos "convertidos". Nos EUA, há mais budistas do que cristãos ortodoxos. O Dalai Lama (líder de uma das seitas budistas tibetanas) é uma das pessoas mais reconhecidas e admiradas do mundo e, sem dúvida, é muito mais conhecido do que qualquer hierarca cristão ortodoxo. Dê uma olhada na seção de revistas da Borders ou da Barnes & Noble. Você vai encontrar mais revistas com nomes como Shambala Sun e Buddhadharma do que revistas cristãs.

Além de perder buscadores para as tradições orientais não-cristãs (muitos dos quais são jovens), a metafísica oriental infiltrou-se na cultura ocidental sem que ninguém notasse. Por exemplo, quantas vezes você já ouviu frases como "você tem um bom karma"? Karma é um termo hindu que tem a ver com as conseqüências do que você fez em vidas passadas (reencarnação). Eles estão sendo mais eficazes em "evangelizar" nossa cultura do que nós, cristãos ortodoxos.

O Senhor foi muito claro quando disse para que em Seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações (Lucas 24:47). O número de budistas (entre os quais há muitas seitas) e hindus cresce a olhos vistos na América -- nas salas de aula, nos campos de futebol, nos shopping centers. Eles representam um "campo missionário" em potencial para a Igreja Ortodoxa nos EUA. Infelizmente, com raras exceções, como as obras do Hieromonge Damasceno [Christensen] e de Kyriakos S. Markides, nós não estamos falando a essa gente.

Pois eu lhes digo, como ex-hindu e discípulo de um famoso guru, que o Cristianismo Ortodoxo tem muito mais a ver com as tradições orientais não-cristãs do que qualquer outra confissão cristã. O fato é que os protestantes tentam evangelizar os buscadores orientais e a emenda acaba saindo pior do que o soneto. A abordagem que eles adotam é culturalmente ocidental, racionalista e jurídico-legalista, e eles pouco ou nada entendem dos paradigmas e da linguagem espiritual dos buscadores dessas tradições orientais.

Os budistas e hindus compartilham três "princípios metafísicos fundamentais":

1. Há uma realidade "supra-natural" que subsume e pervade o mundo fenomênico. Tal Realidade Suprema não é pessoal, mas transpessoal. Deus, ou a Realidade Suprema, é, em última instância, uma "consciência pura", desprovida de atributos.

2. A alma humana é consubstancial com essa Realidade Suprema. A natureza humana inteira é, em essência, divina. Segundo essas tradições, Cristo ou Buda não são salvadores, mas são apenas paradigmas de auto-realização, o objetivo de toda a humanidade.

3. A existência é fundamentalmente uma unidade (monismo). A criação não é aquilo que parece a olho nu. Em essência, ela é "ilusória", "irreal" e "impermanente". Há um grau de ser (pense no "campo quântico" da Física.) que unifica todos os seres e do qual e no qual tudo pode ser reduzido.

O que esta metafísca tem em comum com a fé cristã ortodoxa? Não muito, à primeira vista. Mas acontece que, nas tradições orientais não-cristãs, o conhecimento não é apenas um desenvolvimento teológico ou a disseminação de uma doutrina metafísica. Eis um dos pricipais problemas que os cristãos ocidentais enfrentam quando tentam se comunicar com os buscadores orientais. As religiões orientais jamais são teóricas ou doutrinais. Elas têm mais a ver com o esforço para se libertar do sofrimento e da morte. Essa ênfase "existencial" é o primeiro ponto em comum com a Ortodoxia, pois a Ortodoxia, em sua essência, enfatiza o aspecto transformacional.

O segundo ponto em comum da fé ortodoxa com os budistas e hindus é o estado corrupto da humanidade e da consciência humana. O objetivo da vida cristã, segundo os Padres da Igreja, é sair desse estado "sub-natural" ou "caído" em que estamos (sujeitos à morte) para um estado "natural" ou "segundo a natureza", à imagem (de Deus), e, em última instância, a um estado "supra-natural" ou "sobre-natural", à semelhança (de Deus). Segundo a doutrina dos Santos Padres, os estágios da vida espiritual são a purificação (metanoia), iluminação (theoria) e deificação (theosis). Tal paradigma de formação e transformação espiritual é, na Cristandade, exclusivo da prática cristã ortodoxa. Embora não concordemos com budistas e hindus a respeito do que é "iluminação" e "deificação", estamos de acordo no que tange o diagnóstico básico da condição humana decaída. Certa vez, eu disse a um budista tibetano praticante que "estamos de acordo quanto à doença (da condição humana); nós só discordamos quanto à cura".

A Ortodoxia -- especialmente a tradição hesicasta (contemplativa) -- ensina que o "conhecimento espiritual" pressupõe um noûs "purificado", "desperto", que é o "eu" interior da alma. Para os cristãos ortodoxos, o verdadeiro teólogo não é aquele que simplesmente sabe a doutrina, em termos intelectuais ou acadêmicos, mas é aquele que conhece Deus, ou os princípios ou essências interiores das coisas criadas, mediante a apreensão direta ou percepção espiritual. Segundo um famoso teólogo ortodoxo, "Quando o noûs está iluminado, isso significa que ele está recebendo a energia de Deus, a qual o ilumina...". Tal idéia soa bem aos ouvidos dos buscadores orientais que se esforçam em experimentar -- mediante ascese não-cristã ou métodos ocultistas -- a iluminação espiritual. A maioria dos buscadores orientais não está ciente de que a iluminação espiritual profunda, a qual nossa tradição hesicasta chama de theoria, exista em um contexto cristão.

O dhamma (prática) budista e hindu enfatiza a cessação do desejo como parte de sua ascese espiritual, a qual é necessária para apagar as paixões. A tradição da Igreja ensina a apatheia, ou desapego, como o meio para compater as paixões decaídas. Os métodos de meditação hindu e budista ensinam a "quietude". A palavra hesychia, na tradição cristã -- a raiz da palavra hesicasmo --, significa exatamente "quietude". Em especial, o Budismo ensina a "plena atenção". A tradição cristã ensina a "vigilância", para que não incorramos em tentações. Os hindus e budistas entendem que não é sábio viver para esta vida, mas sim se esforçar para a vida futura. Nós, ortodoxos, concordamos plenamente. Os americanos que se "convertem" ao Budismo ou ao Hinduísmo são freqüentemente pessoas que se esforçam para aprender línguas e culturas estrangeiras (sânscrito, tibetano, japonês) e sair de suas "zonas de conforto". Os convertidos à Igreja Ortodoxa também são assim. Algumas seitas budistas e hindus possuem formas complexas de "liturgia", as quais incluem cânticos, prostrações e venerações de ícones. O Budismo Tibetano, em particular, confere grande honra aos seus ascetas, relíquias e "santos".

A principal diferença no que tange a experiência espiritual está naquilo que as tradições orientais não-cristãs chamam de "iluminação espiritual" ou "consicência primordial" -- alcançada mediante contemplação profunda (Moksha, Samadhi) --, pois a tradição cristã ortodoxa chama isso de "auto-contemplação". O Arquimandrita Sofrônio (Sakharov) era um grande especialista em yoga (união) antes de se tornar hesicasta e discípulo de São Silvano da Santa Montanha. Eis o que ele disse, a partir de sua experiência pessoal: "Toda contemplação alcançada por estes meios (yoga etc.) é auto-contemplação, e não contemplação de Deus. Em tais circunstâncias, o que se revela a nós é a beleza criada, mas não o Primeiro Ser. Neste contexto, não há salvação para o homem". Clemente de Alexandria, há dois mil anos, escreveu que os filósofos pré-cristãos freqüentemente encontravam-se inspirados por Deus, mas que mesmo assim os cristãos deveriam tomar cuidado com o que aprendiam deles.

É verdade, portanto, que os buscadores orientais podem, mediante ascese ou disciplinas contemplativas, experienciar níveis profundos de beleza criada, ou ser criado, ou dimensões paranormais, até mesmo o "não-ser" do qual somos formados: mas isto não é a Vida Incriada. Será que são essas experiências que os buscadores orientais estão procurando? Esta é a pergunta-chave. Somente a Igreja Ortodoxa poderá, mediante os mistérios deificantes, levá-los à província da Vida Incriada. De todas a confissões cristãs, somente na Igreja Ortodoxa os buscadores orientais aprenderão que há mais na "salvação" do que apenas remissão de pecados e justiça divina. Eles serão levados a participar na energias incriadas de Deus e, por meio delas, serem participantes da natureza divina [II Pedro 1:4]. Enquanto membros do Corpo de Cristo, eles se juntarão ao processo deificante e, aos poucos, serão transformados na semelhança de Deus. A deificação está disponível a todos que ingressam na Santa Igreja Ortodoxa, são batizados (é o começo do processo deificante) e participam dos santos mistérios. Não é algo que está disponível apenas aos monges, ascetas e atletas espirituais.

A Ortodoxia tem muito a compartilhar com os buscadores orientais. Vida e morte estão à prêmio nesta vida, não nas milhões de vidas que os buscadores orientais pensam que têm. Conforme alertou o Apóstolo Paulo: Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo (Hebreus 9:27).

Que Deus nos conceda a sabedoria para estendermos a mão e compartilharmos a "luz verdadeira" da santa fé ortodoxa com os buscadores das tradições espirituais orientais.

Fonte: Kevin Allen.

Foto: Catedral Ortodoxa de Santa Sofia, Harbin, China.