domingo, 30 de janeiro de 2011

Depoimentos

jorge paulino

Olá amigos.

Sou Jorge Paulino (de Moçambique, talvez o 1o Moçambicano a se juntar ao Fórum).
Sou buscador da verdade e me parece que eu e vocês temos coisas em comum: “Vontade de libertar as pessoas da escravidão da cegueira mental criada pela STV.” Felizmente, graças a pessoas como vocês (que partilham a informação com quem quer que a desejar), consegui me libertar da cegueira que me apoquentava há anos. Sem essas pessoas, não sei que rumo minha vida teria.

Minha história como TJ (Resumo)

Quando eu ainda era bem novo (talvez aos 9 anitos), minha mãe converteu-se a TJ. E como era de se esperar eu também tinha de seguir o mesmo rumo. Aos 14 ou 15 anos me tornei “publicador não baptizado”, aos 16 me baptizei. Aos 26 me tornei Servo Ministerial. Mas uma coisa confesso: nunca gostei de ser TJ. Sempre tive minhas dúvidas e questões que me levavam a crer que aquela religião não tinha bases para se auto intitular de verdadeira, o pior, a única verdadeira. Minha vida sempre foi uma batalha nos murros da organização. Eu quase funcionava como um robô comandado pelos meus pais: me tornei publicador, porque eles queriam; me baptizei, porque eles queriam; tentava ser zeloso, porque eles queriam. Em fim, tudo (ou boa parte do que fazia) era para agradar a eles. Quando cresci, cresceu também o número de pessoas a quem tinha de agradar: os meus amigos TJs, os “irmãos” que tanto me admiravam. Chegou uma altura que eu sentia que estava a suportar a alegria de muitos.

A desilusão

Nos finais de 2007 comecei a pesquisar sobre as Testemunhas de Jeová (na net, claro) e não demorou para as minhas dúvidas ficarem esclarecidas: Afinal de facto estava a ser enganado! Li o “Crise” e no final a desilusão se apoderou de mim. O que teria de fazer então? Abandonar tudo? Acho que não! Que impactos teria em mim essa mudança brusca? Não! Não devia abandonar, afinal ainda não me identificava com a nova realidade. As bases para refutar tudo o que aprendi durante mais de 15 anos ainda não as possuía. Mas será que o que acabava de descobrir era verdade? Bom, eu me dei tempo de fazer uma análise independente. Comecei por ler a bíblia da ponta-para-ponta, duas vezes em menos de 9 meses. O objectivo era encontrar algo que provasse que de facto fui iludido. Da minha leitura da bíblia + aquilo que eu lia em blogues de pessoas comprometidas com a verdade, formei as minhas próprias bases para me virar contra a organização, alias, para me livrar dela.

Nos princípios de 2008 eu já estava +/- claro e estava a estudar a melhor maneira de eu largar tudo. Mas eu não podia simplesmente abandonar, senão seria confundido com tantos outros que abandonam a organização por “motivos fúteis”. Eu queria deixar muita curiosidade (nos irmãos) com a minha saída. Felizmente nesse período fui nomeado como “Servo ministerial” e estava nas minhas mãos todo o material para impressionar as pessoas para depois dar o “golpe”. Dito e feito. Aproveitei-me do meu novo cargo para impressionar todo o mundo: com os discursos (que na maioria das vezes se confundiam com discursos de superintendentes viajantes), comentários muito construtivos (mesmo sabendo que a maioria do que eu comentava era mentira), zelo no campo, sorrisos aqui e sorrisos ali. Ao fim de um ano eu já era considerado o pilar da congregação. E a admiração que as pessoas tinham por mim era notável. Prontos, o solo já estava fértil. Mas e depois? Bom, depois tinha de abandonar tudo! Sim, mas e depois? Depois muitos iriam questionar os “porquês” de eu ter abandonado a organização. Afinal eu era muito zeloso e não tinha “mancha do mundo”. Sim, mas, e depois? Afinal depois de abandonar ninguém mais iria querer saber de mim. Logo, não teria como fazer entender a multidão dos meus amigos os motivos que fizeram com que eu me afastasse do “caminho da vida”. É verdade! Mas, e se eu fizesse um livro?! Talvez ele poderia falar por mim mesmo depois de eu ter abandonado. Isso fazia sentido! Então me dei tempo de documentar os motivos do meu afastamento. Nos princípios deste ano (2009) me empenhei em fazer esse documento o qual decidi intitular: “Por que deixei de ser membro da ‘única’ religião ‘verdadeira’”. Em Agosto a obra já estava pronta e eu já tinha o passaporte para me livrar da STV. No dia 2 de Setembro enviei uma carta ao superintendente presidente pedindo uma reunião com todos os ancião. No dia 6 de Setembro houve a tal reunião e eu me despedi deles. E lhes informei que os motivos da minha dissidência estavam documentados no livro que com eles deixei. E prontos! Foi bastante chocante para eles. E no dia 11 de Setembro viria a ser triste para toda a congregação pois foi nesta data que a minha dissociação (a primeira na minha congregação) foi anunciada. No final da reunião foram seleccionados alguns irmãos e foram severamente instruídos a não ler o meu livro, e para os que já o possuiam, o conselho foi de eles queimá-lo. Já havia entregado o livro a alguns amigos meus e ninguém se interessou em queimá-lo e acredito que pessoas inteligentes ficarão mais curiosas e procurarão o livro. No dia seguinte mandei uma mensagem (aos anciãos)com este texto: “Por favor não queimem o meu livro. Lembrem-se de que a verdade não teme a mentira”. E de certeza eles ficaram “sem boca”; nem me responderam. Tenho esperança de que o livro vai livrar muitos dos grilhões da STV. Os que já folhearam o livro disseram-me o conteúdo faz muito sentido.

Mito do "Escravo Fiel e Discreto"

B. J. Kotwall


Estes versículos da parábola de Jesus são usados pela Sociedade Torre de Vigia com mais freqüência do que quaisquer outros, para manter um controlo apertado sobre as Testemunhas de Jeová:

"Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim! Deveras, eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus bens." (Mateus 24:45-47)

É nossa intenção mostrar neste artigo que a Sociedade Torre de Vigia tem usado estes versículos da parábola para extrair deles um sentido profético incorreto e completamente injustificado. (A Sentinela, 1.º de setembro de 1981, p. 24; The Watchtower, 15 de julho de 1960, p. 462; Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, 1975, p. 350)
O "Escravo" era todo o corpo de Cristo

Até 1895, a Sociedade Torre de Vigia ensinou que o "Escravo" era todo o corpo de Cristo. (Zion's Watch Tower, novembro de 1881, p. 291; janeiro de 1890, p. 1171; 1.º de abril de 1895, p. 1797).
Russell era o "Escravo"!

Mas em breve, em 1896, eles mudaram de idéias e um indivíduo, Charles T. Russell, foi escolhido como "Escravo". Acontecia que Russell também era quem mandava na Sociedade Torre de Vigia.

Comentadores bíblicos, fora da Sociedade Torre de Vigia, entendem esta passagem como uma parábola, que Jesus deu para encorajar cada um dos seus seguidores individuais a ser um servo fiel e sábio, em vez de um escravo mau. Jesus não estava dando aqui uma profecia como a Sociedade Torre de Vigia defende. Em apoio disso, Jesus continuou, dizendo nos versículos seguintes:

48 "Mas, se é que aquele escravo mau disser no seu coração: 'Meu amo demora', 49 e principiar a espancar os seus co-escravos, e a comer e beber com os beberrões inveterados, 50 o amo daquele escravo virá num dia em que não espera e numa hora que não sabe, 51 e o punirá com a maior severidade e lhe determinará a sua parte com os hipócritas. Ali é onde haverá o [seu] choro e o ranger de [seus] dentes." (Mateus 24:48-51)

Porém, Russell converteu esta admoestação numa designação pessoal dele próprio como o "Escravo Fiel e Sábio" -- o porta-voz de Deus para a Humanidade! Entre 1896 e 1927, a Sociedade Torre de Vigia ensinou que Russell era aquele Servo (ou Escravo). (Zion's Watch Tower, 1.º de março de 1896, p. 1946; Studies in the Scriptures, vol. 1, edições de 1924-1927, p. 7; vol. 4, p. 613; vol. 7, p. 3, 5, 418, 422; The Watch Tower, 1.º de março de 1917, p. 6049; Harp of God, 1921, p. 229).
Russell não era o "Escravo"!

Rutherford, o segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, mudou essa crença em 1927 e afirmou que a designação do escravo aplicava-se, não a um indivíduo -- Russell -- mas sim à organização Sociedade Torre de Vigia. Foi também publicitado falsamente que Russell nunca afirmara ser esse "Escravo" (The Watch Tower, 15 de fevereiro de 1927, p. 56; Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, 1975, p. 346). No entanto, como os críticos expuseram esta mentira da Sociedade Torre de Vigia, eles fizeram uma admissão parcial no seu último livro de história, Testemunhas de Jeová -- Proclamadores do Reino de Deus (1993), dizendo: "O conceito que ela [a esposa de Russell] expressara sobre a identidade do 'servo fiel' chegou a ser sustentado de modo geral pelos Estudantes da Bíblia por uns 30 anos." (p. 143) O livro na mesma página também lança as culpas sobre a esposa de Russell, Maria, por ter ensinado que Russell era aquele "Servo". Os escritores do livro Proclamadores estão a fingir que desconhecem a Watch Tower de 1.º de março de 1917, p. 6049, que diz muito claramente que "a Watch Tower [Torre de Vigia] proclama sem hesitações o irmão Russell como 'aquele servo fiel e sábio'".
O "Escravo" tem mais de 1800 anos de idade!

A Sociedade Torre de Vigia também ensina, sem qualquer apoio, que o "Escravo" representa a congregação cristã desde o seu começo em 33 A.D. até agora:

"As Testemunhas de Jeová crêem que esta parábola se refere à única congregação verdadeira dos seguidores ungidos de Jesus Cristo. A partir de Pentecostes de 33 E.C. e continuando durante os 19 séculos desde então, esta congregação semelhante a um escravo tem alimentado espiritualmente os seus membros, fazendo isso com fidelidade e discrição." (A Sentinela, 1.º de setembro de 1981, p. 24)

E ainda:

"Desde Pentecostes de 33 A.D., até esta hora presente, esta ("alimentação") tem sido realizada amorosa e cuidadosamente. Sim, e estes "domésticos" têm sido alimentados com comida espiritual progressiva que os mantém a par com a "luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido."" (The Watch Tower, 15 de julho de 1960, p. 435)

Portanto, a bem nutrida congregação cristã ("Escravo"), como afirma a Sociedade Torre de Vigia, tinha mais de 1800 anos de idade quando Russell apareceu em cena em meados da década de 1870. Esta afirmação é um completo disparate, sem qualquer prova ou justificação. Porque, se era mesmo verdade que havia um "Escravo" operando durante mais de 1800 anos, não teria havido necessidade de Russell "reviver as grandes verdades ensinadas por Jesus e pelos apóstolos" (Jehovah's Witnesses in the Divine Purpose, 1959, p. 17). A Sociedade Torre de Vigia não consegue dizer onde estava essa congregação com 1800 anos de idade! Russell certamente não procurou essa congregação inexistente, nem essa mítica congregação procurou Russell! De fato, Russell nunca se voltou para qualquer organização terrestre. Ele agiu independentemente e por conta própria. Russell e os seus associados eram na realidade contra as organizações terrestres. Russell afirmou que:

"Nós não pertencemos a NENHUMA organização terrestre [...] Todos os santos que vivem agora, ou que viveram durante esta era, pertenceram à ORGANIZAÇÃO DA NOSSA IGREJA; tais são todos UMA Igreja, e não existe NENHUMA OUTRA reconhecida pelo Senhor. Por essa razão, qualquer organização terrestre que interfira de algum modo com esta união de santos é contrária aos ensinos das Escrituras e oposta à vontade do Senhor". (Zion's Watch Tower, fevereiro de 1884, p. 2)

O "Escravo" estava espiritualmente impuro!

Consideremos agora a afirmação da Sociedade Torre de Vigia, de que Cristo voltou invisivelmente em 1914 e em 1919 fez um julgamento no templo que resultou na seleção da Sociedade Torre de Vigia em detrimento de todas as outras igrejas! Jesus realizou isto apesar do fato de saber que a Sociedade Torre de Vigia estava espiritualmente impura nesse mesmo tempo!

"As Escrituras descrevem-nos como tendo vestes impuras devido à sua longa associação com a apostasia cristã [...] Eles tinham muitas práticas, características e crenças similares às seitas da cristandade semelhantes a joio." (The Watchtower, 15 de julho de 1960, pp. 435-436)

O "Escravo" serviu alimento contaminado!

Outro critério para a seleção da Sociedade Torre de Vigia foi este: "A questão era servir alimento, a espécie correta de alimento no tempo apropriado. Tinha de ser sobre isso que o retornado amo precisava fazer uma decisão." (Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, 1975, p. 350)

Mas observamos que "a espécie correta de alimento" servido pela Sociedade Torre de Vigia nesse tempo consistia, entre outras coisas, nisto.

O ensino de que o tempo do fim tinha começado em 1799.
Cristo voltou de forma invisível em 1874.
O mundo será destruído em 1914.
As pirâmides são Testemunhas de Deus -- uma "Bíblia" em pedra.
Rutherford tinha começado a pregar nos seus discursos que o mundo acabaria em 1925. Mais tarde, em 1925, ele publicou um livro sobre o mesmo assunto.
Foi publicado em 1917 o livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado). O livro continha a matéria mais disparatada que a Sociedade Torre de Vigia alguma vez publicou num único livro.

Pedem-nos que acreditemos que apesar destas aberrações da Sociedade Torre de Vigia nesse tempo, Jesus decidiu escolher a Sociedade Torre de Vigia acima de todas as outras seitas! E é claro que a designação foi confirmada por Jesus e transmitida à Sociedade Torre de Vigia -- tudo invisível também! Quanto à necessidade de a Sociedade Torre de Vigia estar servindo alimento que era claramente superior às outras seitas cristãs [para poder ser escolhida por Jesus], vejam-se as próprias admissões da Sociedade Torre de Vigia, citadas acima, na The Watchtower, 15 de julho de 1960, pp. 435-436 e Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, 1975, p. 350.
Mais de 99% dos "Escravos" não fornecem qualquer alimento!

Outro ponto importante é que o "escravo fiel e discreto" supostamente é constituído por todo o restante dos 144.000, que atualmente são 8.661 segundo a última contagem efetuada pela Sociedade Torre de Vigia [A Sentinela, 1.º de janeiro de 2001]. Estes "ungidos" do restante estão espalhados por todo o mundo. É suposto que este "escravo" composto de 8.661 pessoas ungidas partilhe na distribuição de alimento conforme diz a parábola, e como corpo coletivo eles foram TODOS designados sobre os domésticos do amo. (Unidos na Adoração do Único Deus Verdadeiro, 1983, p. 119; Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, 1975, pp. 342-343; A Sentinela, 1.º de setembro de 1981, p. 24). É uma charada completa dizer que estes 8.661 "ungidos" do restante, que estão distribuídos à volta do mundo, fazem qualquer tipo de preparação e distribuição do alimento espiritual apresentado às Testemunhas de Jeová pela Sociedade Torre de Vigia. Raymond Franz, ex-membro do Corpo Governante da Sociedade Torre de Vigia, no seu livro In Search of Christian Freedom (Em Busca de Liberdade Cristã, 1991) refere-se a este assunto, dizendo:

"Essa é provavelmente a ficção mais óbvia que podemos encontrar em todo o conjunto de explicações sobre as Escrituras publicadas pela organização. O fato é que nem sequer 1% do número de 'ungidos' tem a mínima parte em determinar o que as Testemunhas de Jeová recebem sob a forma de material bíblico ou na elaboração de políticas ou na direção das atividades dessas pessoas [...] A esmagadora maioria dos artigos publicados na revista A Sentinela foram escritos por pessoas que não pertencem à 'classe ungida'." (p. 154)

Cronologicamente, o "Escravo" não existe!

Outro ponto importante é que a data 1914 para a chegada de Jesus é baseada numa cronologia da Sociedade Torre de Vigia que é inquestionavelmente falsa. A data 607 A.C. para a destruição de Jerusalém, que eles usam como base para os seus cálculos, tem contra si uma quantidade de evidência muito forte e simplesmente não tem qualquer apoio fora da Sociedade Torre de Vigia. O fato de o conceito da identificação do "Escravo" se basear em cálculos cronológicos falsos obviamente demonstra que o "Escravo" não tem "existência" justificada. Carl Olof Jonsson, no seu livro The Gentile Times Reconsidered (Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, 1998), recorrendo a argumentos irrefutáveis e muito sólidos, demonstra que é falsa a posição da Sociedade Torre de Vigia quanto à data 1914 e quanto ao mito subsequente do "Escravo".

Em conclusão, gostaríamos de declarar que a história do "escravo fiel e discreto" é uma fábula falsificada feita por homens. Este "Escravo" merece o completo desprezo e rejeição de todas as pessoas racionais.
Resumo

Consideramos várias razões que provam que "o escravo fiel e discreto" é um produto da imaginação da Sociedade Torre de Vigia. Eis um resumo destas razões.

A Sociedade Torre de Vigia nem sequer tem certeza sobre o que deseja publicar sobre a entidade do "Escravo". Até 1896, a Sociedade Torre de Vigia especulou que o "Escravo" era uma organização (o inteiro corpo de Cristo). Entre 1896 e 1927 (11 anos depois da morte de Russell) a Sociedade Torre de Vigia defendeu que o "Escravo" era um indivíduo" -- Russell. Depois de 1927 a Sociedade Torre de Vigia novamente conjeturou que o "Escravo" era uma organização.

A Sociedade Torre de Vigia considerava que o "Escravo" teve uma existência durante cerca de 1800 anos, desde Pentecostes. Não foi apresentada qualquer justificação ou prova para isso -- apenas se afirmou tal coisa. Isto foi, mais uma vez, uma especulação crassa.

Apesar do fato de o "Escravo" estar espiritualmente impuro e estar servindo alimento "contaminado", espera-se que acreditemos que Jesus selecionou a Sociedade Torre de Vigia como "Escravo" dentre todas as outras seitas cristãs. Cristo alegadamente fez isso apesar do fato de a Sociedade Torre de Vigia estar ainda espiritualmente impura e servindo "alimento" contaminado no exato momento em que estava sendo feita a sua designação por Jesus! Tudo isto foi admitido pela Sociedade Torre de Vigia nas suas próprias publicações, conforme foi mostrado acima.

O "Escravo", que supostamente é composto por todo o restante dos 144.000, atualmente totaliza 8.661 pessoas "ungidas", e é suposto que todas colaborem em providenciar "alimento" às Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Porém, na realidade, estas pessoas são apenas figuras decorativas e nunca são consultadas em nenhuma das decisões ou anúncios feitos pela Sociedade Torre de Vigia. Todo o conceito do modo como funciona o restante é um fingimento ridículo e manifestamente falso.

Uma cronologia defunta e completamente falsa estabeleceu 1914 como a data da "volta" de Jesus. Como já se provou que essa cronologia é falsa, pode-se afirmar que Jesus não voltou em 1914 e consequentemente não podia ter selecionado a Sociedade Torre de Vigia como o "Escravo" em 1919!

Índice · English

Previsões Fracassadas das Testemunhas de Jeová

"Cristãos maduros também podem se desapontar, e isto tem, em alguns casos, levado à derrocada espiritual. Alguns depositaram sua esperança em uma data, na qual tinham certeza de que o Armagedom viria. Quando nada aconteceu naquele dia, eles sentiram-se decepcionados."

A Sentinela de 15 de Abril de 1990

"Se estas profecias não se cumpriram, e se toda possibilidade de cumprimento já passou, então provou-se que estes profetas são falsos."

Profecia, 1929, pág. 22

"Religiões fundamentalistas muitas vezes procuram tirar da Bíblia o que ela simplesmente não contém: o dia e a hora exatos do fim deste mundo."

A Sentinela de 1.º de abril de 1997, p. 4

Índice

  1. Introdução

  2. Nasce a Escatologia

  3. Russell e a Escatologia

  4. Idéias Adventistas

  5. Apocalipse Adiado

  6. Uma Análise Geral

Introdução

"No entanto, o profeta que presumir falar em meu nome alguma palavra que não lhe mandei falar...., tal profeta terá de morrer." - Deuteronômio 18: 20 (grifo acrescentado)

As palavras acima demonstram bem quão séria era a questão do dom de profecias dentre os do povo de Israel. A penalidade deixava bem claro a qualquer pretenso profeta o que o aguardaria em caso de impostura. É compreensível que fosse assim, pois, o "ofício" de profeta tem uma peculiaridade que o torna particularmente perigoso - as palavras de um suposto profeta são recebidas como oriundas do próprio Deus. Nações inteiras seguiriam cegamente um profeta da mesma forma que os ratos da lenda seguiam o flautista de Hamelin. Inteiramente à mercê das palavras "proféticas", as massas poderiam ser levadas a cometer ou sofrer atrocidades. De fato, a vida de muitos seres humanos poderia estar em jogo. Sob essa perspectiva, é compreensível que a lei mosaica não deixasse alternativa a tal delito, a não ser a morte. Deveras, um falso profeta pode tornar-se assassino de milhões...

Todavia, se por um lado, era grande a responsabilidade que recaía sobre os ombros de um suposto profeta, por outro, grande seria a responsabilidade do povo quanto a dar-lhe ou não ouvidos. O texto alertava:

"E tem de dar-se que o homem que não escutar as minhas palavras que [o profeta] falar em meu nome, deste eu mesmo exigirei uma prestação de contas." - Deuteronômio 18: 19 (grifo acrescentado)

Vemos, portanto, que a questão do profetizar era, naquele tempo, bastante delicada para os dois lados - tanto o anunciante como seus ouvintes corriam sério risco. Muitos supostos profetas foram perseguidos ou até mesmo mortos. Jesus Cristo chamou Jerusalém de "matadora dos profetas e apedrejadora daqueles que lhe [foram] enviados" (Mateus 23: 37). Por outro lado, previu o surgimento de muitos falsos profetas (Marcos 13: 22). Séculos antes dele, homens como Jeremias, Isaías e outros haviam sofrido intensamente na condição de profetas. Em seus dias, Cristo provavelmente viu alguns arvorarem-se em porta-vozes de Deus, causando bastante tumulto entre os judeus. O livro de Atos - cap. 5 e versículos 36 e 37 - menciona, pelo menos, dois destes, Teudas e Judas. Com o advento do cristianismo e a expectativa de "dons do Espírito Santo" (Pentecostes, 33 E.C.) - entre eles, o dom da previsão -, pretensos 'profetas' começaram a surgir de todos os lados. Novamente as pessoas ficavam em um dilema: seguir um falso profeta ou repudiar um verdadeiro. O problema atingiu uma dimensão tal que o apóstolo Paulo enviou advertências às congregações, alertando-as para o perigo de se deixarem levar pela palavra de indivíduos inescrupulosos que interpretavam as Escrituras a seu próprio modo. Em sua segunda carta a Timóteo - cap. 2 e versículos 17 e 18 -, ele menciona dois desses indivíduos: Himeneu e Fileto. Também, em sua carta aos cristãos de Tessalônica, ele os adverte especificamente quanto a ficarem empolgados com "uma expressão inspirada... [ou] uma mensagem verbal" sugerindo a volta do messias (2 Tessalonicenses 2: 1-3). Vemos, assim, que lidar com pretensos profetas ou interpretadores das profecias é um problema que acompanha a congregação cristã desde seus primórdios. Mas, que dizer dos séculos seguintes?

Nasce a Escatologia

Início

A História tem revelado, ao longo das eras, um quadro não muito diferente daquele descrito nos dias do apóstolo Paulo. Já no primeiro século, por meio de rabinos, veio à luz aquilo que convencionou-se chamar escatologia - a interpretação das passagens bíblicas que apontam para eventos cataclísmicos, indicadores da vinda do messias e do restabelecimento do Reino de Israel. Rabinos como Akibah ben Joseph (50-132 EC), Nahawendi, Solomon ben Jeroham, Rashi e diversos outros apontaram como biblicamente significativos os anos de 968, 1260, 1352, 1358 e vários outros. O primeiro dessa lista - ben Joseph - passaria para a história como o promotor do princípio "dia-ano", segundo o qual os "dias" proféticos da Bíblia correspondem, na realidade, a anos literais. Sem saber, o rabino fez escola - sua "fórmula" seria usada séculos à frente, tanto por judeus como por cristãos. Desse modo, o trabalho dos rabinos do primeiro século constitui um importante marco na história da escatologia.

O que se tem observado, desde então, é um processo cíclico - o "alvoroço" profético inflama-se a cada período crítico da história humana, naufraga no fracasso das datas apontadas para os eventos bíblicos e adormece por um tempo. Tão logo o mundo volte a enfrentar turbulências - elas inevitavelmente retornam de tempos em tempos -, a "pirotecnia" profética reacende-se e inicia novo ciclo. Foi assim na época das cruzadas, durante a Revolução Francesa e durante as duas guerras mundiais do século 20. Um aspecto significativo é que as gerações busquem situar os cumprimentos proféticos sempre dentro de sua própria época. Do contrário, que interesse lhes despertariam tais previsões?

Por volta do século 12, autores cristãos partiram de onde os rabinos haviam começado, iniciando nova série de especulações sobre a data para o 'fim dos tempos'. Estudiosos das profecias, como Joaquim de Flora (1130-1202), Arnold de Villanova (1235-1313) e dezenas de outros que se seguiram propuseram novas datas para o cumprimento das profecias de Daniel e Apocalipse, arrebanhando muitos adeptos ansiosos para presenciar os espetaculares eventos. O leitor poderá ter a real noção da quantidade de cálculos escatológicos por examinar o quadro abaixo, no qual acham-se listadas 37 previsões cujos autores viveram do século 12 ao 19. É importante frisar que essas foram feitas segundo uma linha de cálculo comum, retratando apenas uma fração dos prognósticos desse período de 700 anos. Ao examinar cada data, pergunte-se o leitor - qual delas cumpriu de forma clara e incontestável as profecias bíblicas? Todas ou nenhuma?

Autor Data Proposta

Joaquim de Flora

1260
Arnold de Villanova 1364
Walter Brute 1394
Martinho Lutero 1328
A. Osiander 1672
J. Funck 1521
G. Nigrinus 1701
Aretius 1572
John Napier 1576
D. Pareus 1866
J. Tilinghast 1656
A. Artopaeus 1520
Cocceius 1552
T. Beverley 1697
P. Jurieu 1714
R. Fleming 1848 e 2000
W. Whiston 1866
Daubuz 1736
J. P. Petri 1847
Lowman 2013
J. Gill 1866
H. Wood 1880
J. Bicheno 1789
Fraser 1998
G. Bell 1797 e 1813
E. King 1798
Galloway 1849
W. Hales 1880
W. Cuninghame 1792
G.S. Faber 1866
J.H. Frere 1792
L. Way 1791
W.C. Davis 1848
J. Bayford 1789

J. Fry

1797

J.A. Brown

1844

Chamamos a atenção do leitor para o último autor listado acima - John Acquila Brown -, pois ele tem papel fundamental na estrutura doutrinária das Testemunhas de Jeová, muito embora a maioria delas não esteja consciente disso. O nome dele é mencionado na obra Proclamadores, pág.134. O livro afirma que ele relacionara as profecias de Daniel e Lucas - algo que não parece estar de acordo com as provas documentais da época. Seu cálculo apontava para o ano de 1844 e foi aceito pelos seguidores do pastor William Miller, mais tarde chamados de Adventistas. Historicamente, diversos movimentos religiosos originaram-se do Adventismo, entre eles a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Mundial de Deus e as Testemunhas de Jeová. Há um notável paralelo em sua escatologia. As duas últimas chegaram a apontar uma mesma data para o Armagedom ('fim do mundo') - 1975. À guisa de exemplo, vejamos alguns trechos extraídos de obras dessas três instituições:

"O aumento fenomenal da guerra, do crime, da violência e do medo são todos sinais da Segunda Vinda de Cristo."

Robert Pierson, escritor Adventista do 7o. Dia

"Todos os sinais apontam para o fato de que nós estamos vivendo no 'Tempo do fim' da presente civilização."

Igreja Mundial de Deus, em uma carta a um leitor da revista Plain Truth ("A Pura Verdade")

"Tem havido guerras, escassez de alimentos, terremotos e pestilências ao longo dos séculos da Era Comum até 1914... Todavia, não tem havido nada que se compare com o que tem ocorrido desde... aquele momentoso ano."

A Sentinela de 1/2/1985 (em inglês)

A similaridade das declarações acima faz parecer que elas têm a mesma origem. Embora originem-se de religiões diferentes, partem de um tronco comum - o Adventismo anglo-americano do século 19. Deve o leitor confiar nas informações dessas fontes? Afinal, como distinguir palpite de profecia?

Os antigos israelitas enfrentavam a mesma questão. No entanto, as escrituras hebraicas contêm a resposta. Reportemo-nos ao texto de Deuteronômio, examinado no início deste artigo:

"E caso digas no teu coração: 'Como saberemos qual a palavra que Jeová não falou?', quando o profeta falar em nome de Jeová e a palavra não suceder nem se cumprir, esta é a palavra que Jeová não falou. O profeta proferiu-a presunçosamente. Não deves ficar amedrontado por causa dele." - Deuteronômio 18: 21,22 (grifo acrescentado)

Um exame das previsões anunciadas por Charles Russell e seus sucessores poderá lançar uma luz sobre esse tema, permitindo ao leitor decidir por si mesmo e com base nos fatos em que categoria enquadrar esse movimento religioso.

Russell e a Escatologia

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Charles Taze Russell - o iniciador do movimento hoje conhecido do público como Testemunhas de Jeová - não demonstrava interesse por escatologia no princípio de seu ministério. Seu nascimento se deu cerca de oito anos após o grande desapontamento do movimento Adventista - o fiasco de 1844. De modo que, já na infância, ele ouvira falar deste evento - William Miller, um pastor batista anunciava a volta de Jesus Cristo para aquela data. Milhares apegaram-se a esta esperança e viram seus sonhos se reduzirem a pó. A frustração teve efeito devastador para muitos adeptos do movimento, ocasionando o abandono de boa parte deles, bem como a fragmentação do grupo original em diversos ramos menores - vários deles propondo novas datas. Certamente o conhecimento destes fatos produziram certa medida de ceticismo no jovem Russell. Todavia, anos no futuro ele próprio envolver-se-ia em expectativas semelhantes.

Russell foi criado como Presbiteriano e, mais tarde, afiliou-se à Igreja Congregacional. Porém, por volta dos 16 anos de idade, teve uma crise de fé e abandonou sua religiosidade. Cerca de um ano depois, em 1869, recobrou a fé após assistir a um culto Adventista, em uma sala na rua do comércio dos Russell. Ele criaria seu próprio grupo no ano seguinte. Ele estava ciente de que alguns Adventistas esperavam a 'segunda vinda' de Cristo para 1873 ou 1874, mas, a princípio, não levou esses números a sério. Na verdade, seu encontro com a escatologia se deu dois anos após mais esse fiasco - em 1876. Por volta dessa época, Russell se deixara influenciar pelas idéias de Joseph Seiss, um pastor luterano da Pensilvânia, o qual reacendeu uma antiga teoria: a vinda do Senhor se daria de forma invisível. Casualmente chegou às mãos de Russell uma publicação de um Adventista cuja noção nesse respeito lhe era familiar. Tratava-se de Nelson Barbour - um ex-seguidor do pastor Miller. Ele esperara a vinda do messias para o ano de 1874. Como nada aconteceu naquele ano, ele compensou o desapontamento por reinterpretar o fenômeno da volta de Cristo como um acontecimento invisível aos olhos físicos. Assim, ele passou a divulgar seus achados em um periódico, Herald of the Morning [Arauto da manhã], o mesmo que chegaria às mãos de Russell. A partir e só a partir do encontro com Barbour - em Filadélfia - Russell abraçaria a escatologia como estandarte de seu movimento. Exatamente quais idéias Russell tomaria emprestadas de Barbour? Vejamos.

Idéias Adventistas

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Eis, resumidamente, os cálculos de Barbour, mais tarde adotados por Russell:

  • Números 14: 34 e Ezequiel 4:6 mencionam uma correspondência entre dia e ano.

  • Os 'sete tempos' de Daniel 4: 16, 32 - por essa regra - representam 7 anos ou 2520 dias. Como cada dia equivale a um ano, temos 2520 anos.

  • Os 'Tempos dos Gentios' de Lucas 21: 24 correspondem aos 'sete tempos' de Daniel 4: 16, 32.

  • Os 2520 anos, contados a partir de 606 AC, levam a 1914 DC como o fim dos 'Tempos dos Gentios' e, portanto, a data do início do milênio de Cristo.

  • As "setenta semanas" de Daniel 9: 24 representam 490 dias. Com "um dia por ano", são 490 anos.

  • As 2300 'tardes e manhãs' de Daniel 8: 14, os '1260 dias' de Apocalipse 11: 3, os '1290 dias' de Daniel 12:11 e os '1335 dias' de Daniel 12:12 todos representam anos e correspondem, respectivamente, a 2300 anos, 1260 anos, 1290 anos e 1335 anos.

OBS: para mais detalhes sobre cronologia, consulte http://testemunha.orgfree.com/historia.htm

Antes de qualquer coisa, é preciso que se diga - nenhuma dessas idéias é original. Conforme vimos, o esboço de tais cálculos já vinha se definindo séculos antes de Russell nascer. O cálculo de Nelson Barbour era apenas mais um dentre uma infinidade de projeções possíveis. Inúmeras tentativas foram feitas ao longo dos séculos, partindo de eventos distintos e aplicando períodos "proféticos" distintos. Alguns - inclusive os primitivos Pais da Igreja - interpretaram os "dias " bíblicos como literais, enquanto outros grupos aplicaram o princípio "dia-ano". O resultado: datas e eventos para todos os gostos. A pessoa poderia escolher uma previsão ou rejeitar todas, afinal, tudo era uma questão de fé, ou seja, a crença voluntária em uma idéia que pouco ou nada deve à evidência. Vejamos as principais datas defendidas por Russell e alguns de seus predecessores:

  • 606 AC: a queda de Jerusalém diante do rei babilônico Nabucodonosor; essa data seria mudada para 607 AC.

  • 454 AC: A ordem para reconstruir as muralhas de Jerusalém e o início dos 2300 "dias" da profecia de Daniel 8: 14 e das "setenta semanas" de Daniel 9: 24; essa data seria mudada para 455 AC.

  • 36 DC: O fim das "setenta semanas" de Daniel 9: 24 e o início da pregação cristã aos gentios.

  • 539 DC: Ponto de partida para os 2300 "dias" de Daniel 8: 14, os 1260 "dias" de Apocalipse 13:2, os 1290 "dias" de Daniel 12: 11 e os 1339 "dias" de Daniel 12: 13; corresponde ao começo do domínio papal, no ano seguinte à expulsão dos arianos ostrogodos pelo império romano; a maioria dos Adventistas prefere o ano anterior, ou seja, 538 DC.

  • 1799 DC: o início do 'Tempo do Fim', correspondendo aos 1260 "dias" e marcado pela deposição do Papa por Napoleão Bonaparte (1798 para a maioria dos Adventistas); essa data seria, no futuro, totalmente descartada.

  • 1828 DC: o fim dos 1290 "dias" e o início do movimento Adventista de W. Miller; essa data seria esquecida.

  • 1846 DC: o fim dos 2300 "dias" e a 'purificação do santuário' pela exposição - por parte dos Adventistas - de falsas doutrinas da 'cristandade'; essa data seria igualmente esquecida.

  • 1873 DC: o fim de 6000 anos de existência humana; essa data seria corrigida em 100 anos.

  • 1874 DC: o fim dos 1335 "dias" o início da presença de Cristo e da colheita;no futuro, essa data seria transferida para 1914.

  • 1878 DC: a 'vinda do Senhor' em poder e a ressurreição dos 'escolhidos' que já morreram; essa data seria transferida para 1918.

  • 1881 DC: o fim da chamada geral para o 'pequeno rebanho' de 144.000 santos e a queda de 'Babilônia, a Grande'; essa data seria totalmente descartada.

  • 1914 DC: o fim dos 'Tempos dos Gentios' e da 'Grande Tribulação', culminando com o Armagedom, a purificação da terra e a restauração dos Judeus naturais na Palestina; a data seria mantida, mas os eventos relacionados seriam totalmente modificados.

As datas acima foram obstinadamente defendidas por Russell até sua morte, em 1916. Todavia, o cronograma acima tornou-se totalmente obsoleto. Nenhuma Testemunha de Jeová o defende hoje em dia e boa parte dos adeptos nem ao menos o conhece. Em outras palavras, nem sequer uma dentre as previsões acima materializou-se da forma como o 'pastor' Russell previa.

Há uma dificuldade adicional: uma das datas acima, 606 AC, apontada como marcando a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, não tem qualquer base histórica ou arqueológica. Nenhuma enciclopédia no mundo lhe dá suporte. Nenhum historiador a defende. Todo o peso das evidências coletadas até hoje aponta para cerca de vinte anos mais tarde, ou seja, 586/587 AC.

Apocalipse Adiado

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Mesmo diante do fracasso óbvio das previsões anteriormente descritas, os sucessores de Russell não se deram por vencidos. Todo o cronograma "profético" foi convenientemente reformulado e novas datas foram propostas. O Armagedom fora, por assim dizer, adiado. Por agirem assim, perpetuaram o ciclo anteriormente descrito - previsão, fracasso e nova previsão. Eis as datas seguintes, validadas entre 1917 e 1942:

  • 1914 DC: início do 'Tempo do Fim' e da 'presença' de Jesus Cristo; descartavam-se 1799 e 1874.

  • 1918 DC: início da ressurreição dos 'santos', destruição de 'Babilônia, a Grande', anarquia mundial; descartava-se 1878.

  • 1920 DC: desaparecimento das repúblicas, 'fogo' divino contra a cristandade.

  • 1925 DC: o fim da anarquia mundial, a ressurreição de patriarcas bíblicos e a restauração do Israel natural.

  • 1935 DC: surgimento da 'Grande Multidão', os herdeiros do paraíso terrestre.

  • 1941 DC: restam apenas "meses" antes do Armagedom.

Esse novo cronograma não permaneceria intocado por muitos anos. Novamente, nenhum dos eventos previstos se cumpriu (visivelmente, pelo menos). Das seis datas acima, três não têm mais qualquer significado para as Testemunhas de Jeová: 1920, 1925 e 1941. E outras duas - 1914 e 1918 - enfrentam sérias dificuldades à medida que o tempo passa. Contudo, a criatividade escatológica dos dirigentes da Sociedade Torre de Vigia (entidade jurídica das Testemunhas de Jeová) não parou por aí. A partir da década de 60, o ano de 1975 foi apontado como biblicamente significativo, pois havido sido detectado um erro de 100 anos no cálculo do tempo de existência do homem na terra. O ano de 1874 era, portanto descartado e 1975 ocuparia seu lugar. Mais uma onda de expectativas varreria a comunidade das Testemunhas de Jeová, da mesma forma que já ocorrera em 1914, 1918, 1925 e 1941. E, como das outras vezes, novo desapontamento se abateria sobre elas...

Uma análise Geral

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Bem, façamos um balanço geral da precisão "profética" da Sociedade Torre de Vigia durante sua primeira presidência. Das 12 datas-chave propostas por Russell e tenazmente defendidas por ele:

  • Duas seriam corrigidas: 606 AC e 454 AC.

  • Sete seriam descartadas: 1799 DC, 1828 DC, 1846 DC, 1873 DC, 1874 DC, 1878 DC e 1881 DC.

  • Os eventos associados à mais importante data mantida - 1914 - foram alterados.

  • Nenhum dos eventos previstos se materializou.

Agora, verifiquemos o desempenho das presidências seguintes. Das sete datas-chave propostas:

  • Quatro seriam totalmente descartadas: 1920, 1925, 1941 e 1975.

  • Parte dos eventos previstos para 1918 foram totalmente descartados.

  • As três "sobreviventes" - 1914, 1918 e 1935 - apóiam-se sobre uma cronologia fragílima, a cada dia mais difícil de sustentar, e seus eventos, assim como os de outras datas já descartadas, jamais puderam ser comprovados, a não ser pela "fé", já que alguns deles são "invisíveis".

Os resultados acima são plenamente compatíveis com o método de tentativa e erro. Um exame da história da escatologia, conforme vimos, dificilmente atribuirá às Testemunhas de Jeová um índice de acerto superior às dezenas de outros escatologistas ao longo dos séculos. Elas não acertaram mais do que Akibah ben Joseph, Joaquim de flora, John Acquila Brown ou Nelson Barbour. Distinguir Russell ou qualquer de seus sucessores dentre todos os autores de previsões proféticas dificilmente seria uma atitude isenta. Todavia, essa é - conscientemente ou não - a atitude de cada Testemunha de Jeová. Isso nada mais é do que um reflexo da submissão delas à Sociedade Torre de Vigia quando esta afirma receber "orientação" e "direção" da parte de Deus:

"A organização visível de Deus hoje também recebe orientação e direção teocráticas. Na sede das Testemunhas de Jeová, em Brooklyn, Nova Iorque, existe um corpo governante de anciãos cristãos... que dão a necessária supervisão.."

- Poderá Viver Para Sempre... , 1982, p. 30 (em inglês)

Com respeito a sua cronologia, ela disse:

"Esta cronologia não é de homem algum, mas de Deus.'

- A Sentinela de 15/7/1922, p. 217 (em inglês)

A Sociedade Torre de Vigia também afirma, referindo-se a si própria:

"Ela é a única para qual a Palavra Sagrada de Deus, a Bíblia, não é um livro lacrado... a única organização na terra que compreende as 'coisas profundas de Deus'!"

- A Sentinela de 1/1/1974, p. 18 (em português)

A simples análise estatística aqui exposta é - creio - mais do que suficiente para lançar sérias dúvidas quanto às afirmações acima. Afinal, afirmar que Deus está por trás de uma cronologia com índice de acerto ao redor de zero, indubitavelmente, é lançar descrédito sobre a idéia de um Deus inerrante. É produzir escárnio sobre seu poder. Se os membros do corpo governante das Testemunhas de Jeová, de fato, recebem "orientação" divina e constituem o "único" intérprete da Bíblia, seria o caso de indagar se Deus errou ou eles mesmos erraram, se Deus os conduziu em seu caminho ou eles próprios saíram tateando. O peso das evidências obriga-nos a reconhecer que eles mesmos erraram, o que suscita perguntas perturbadoras: poderiam as Testemunhas de Jeová estar atualmente propagando mais erros? Em caso afirmativo, quem responderá pelas conseqüências deles?

Sangue, Atos 15:29 e os Cristãos

Jan Haugland


A Sociedade Torre de Vigia concorda que a lei de Moisés já não se aplica aos cristãos. No entanto, a Sociedade diz que esta regra particular sobre não comer sangue foi repetida para os cristãos no assim chamado decreto apostólico pelo concílio apostólico em Jerusalém. O argumento deles diz isto:

"Observe o que aconteceu quando, anos depois da morte de Jesus, surgiu uma questão a respeito de se quem se tornasse cristão tinha de guardar todas as leis de Israel. Isto foi discutido num concílio do corpo governante cristão, que incluía os apóstolos. Tiago, meio-irmão de Jesus, referiu-se aos escritos que continham as ordens sobre o sangue, declaradas a Noé e à nação de Israel. Seriam elas obrigatórias para os cristãos? -- Atos 15:1-21.

"Aquele concílio enviou sua decisão a todas as congregações: Os cristãos não precisavam guardar o código dado a Moisés, mas era 'necessário' que eles 'persistissem em abster-se de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas [carne não-sangrada], e de fornicação'. (Atos 15:22-29) Os apóstolos não estavam apresentando um mero ritual ou um regulamento dietético. O decreto estabelecia normas éticas fundamentais, que os cristãos primitivos acataram. Cerca de uma década depois, eles reconheceram que ainda deveriam 'guardar-se do que é sacrificado a ídolos, bem como de sangue e da fornicação'. -- Atos 21:25." (Como Pode o Sangue Salvar a Sua Vida? (1990), p. 5)

É espantoso que esta brochura de 32 páginas trate o texto bíblico de forma tão descuidada. A Sociedade Torre de Vigia nunca forneceu uma análise cuidadosa desta passagem bíblica que é a pedra angular da sua posição sobre o sangue. Os versículos usados como textos de prova são tirados do contexto de forma desonesta.

Em praticamente todo o comentário bíblico jamais escrito sobre o livro de Atos, está cuidadosamente demonstrado quão errada é essa aplicação. Os contra-argumentos que apresentaremos agora são completamente desconhecidos para a vasta maioria das Testemunhas de Jeová. A Sociedade Torre de Vigia nunca tentou seriamente responder a estes contra-argumentos e nem sequer cita todos os textos bíblicos relevantes quando trata o assunto do sangue.
Antecedentes

Um dos problemas mais importantes na primitiva congregação cristã era o relacionamento entre gentios e cristãos. Embora a nova religião tivesse as suas origens no Judaísmo, um número significativo de membros eram não-judeus. Alguns cristãos judeus argumentaram que os gentios convertidos tinham de ser circuncidados e tinham de obedecer à Lei, vivendo assim como prosélitos judeus. Paulo, que tinha sido largamente responsável por trazer gentios para dentro da congregação cristã, discordava.

"Certos homens desceram então da Judéia e começaram a ensinar os irmãos: "A menos que sejais circuncidados, segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos." 2 Mas, quando havia ocorrido não pouca dissensão e disputa com eles da parte de Paulo e Barnabé, providenciaram que Paulo e Barnabé, e alguns outros deles, subissem até os apóstolos e anciãos em Jerusalém, com respeito a esta disputa." (Atos 15:1-2)

É evidente a partir de muitas passagens do Novo Testamento que os conflitos entre cristãos gentios e cristãos judeus foram longos e exaltados. Paulo e Barnabé estavam entre aqueles que argumentavam que não era necessário obedecer à Tora. Contra eles estavam "certos homens" da Judéia, provavelmente de Jerusalém, que tinham vindo a Antioquia para se certificarem de que Paulo ensinava os novos convertidos segundo a tradição de Moisés.

Não havia outra razão para ir a Jerusalém exceto o fato de "certos homens" terem vindo desse lugar. A "congregação mãe" em Jerusalém naturalmente gozava de um certo estatuto, e é provável que os homens judeus tivessem invocado a autoridade dos apóstolos, dando assim a impressão de que o ensino controverso vinha dos próprios apóstolos (veja Atos 15:24). Consequentemente, para encontrar a origem da mensagem controversa e para descobrir se este era mesmo o ensino dos apóstolos, a congregação de Antioquia enviou Paulo e Barnabé a Jerusalém.

Uma vez chegados ali, eles foram calorosamente recebidos, mas também houve oposição:

"Contudo, alguns dos da seita dos fariseus, que haviam crido, levantaram-se dos seus assentos e disseram: "É necessário circuncidá-los e adverti-los que observem a lei de Moisés."" (Atos 15:5)

Porém, estes homens ficaram sem apoio no debate, a julgar pelo curto sumário do concílio que encontramos no livro de Atos. Pedro afirmou enfaticamente:

"Ao contrário, confiamos em ser salvos por intermédio da benignidade imerecida do Senhor Jesus, do mesmo modo como também essas pessoas." (Atos 15:11)

A benignidade imerecida, ou graça, e não obras de qualquer tipo, era a base para a salvação. Depois de ouvir os relatórios de Paulo e Barnabé sobre as maravilhas que o espírito realizara entre os gentios, Tiago deu o impressionante discurso que iria dar por terminado este "concílio apostólico".
A decisão

A tensão entre cristãos judeus e cristãos gentios era um problema que precisava de solução. Tal como Paulo e Pedro, Tiago afirmou enfaticamente que não se devia exigir dos gentios que obedecessem à Tora. Porém, para diminuir as tensões, Tiago disse:

"Por isso, a minha decisão é não afligir a esses das nações, que se voltam para Deus, 20 mas escrever-lhes que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue." (Atos 15:19-20)

A Sociedade Torre de Vigia alega que estas regulações eram eternas e vinculativas para toda a humanidade, e consequentemente eram uma exigência para que todos os cristãos se abstivessem de sangue. Mas o texto não diz isso. O que é discutido não é o conjunto mínimo de princípios a que um cristão tem de obedecer, visto que há vários de tais princípios que não estão incluídos aqui, como por exemplo não mentir, não matar, etc. Por que é que Tiago só menciona estas quatro coisas? A chave é dada por Tiago no versículo seguinte:

"Pois, desde os tempos antigos, Moisés tem tido em cidade após cidade os que o pregam, porque ele está sendo lido em voz alta nas sinagogas, cada sábado." (Atos 15:21)

Sim, a razão para esta recomendação é que Moisés é lido em voz alta cada sábado. Note que a palavra "Pois" é uma continuação direta das palavras anteriores. Como é que a leitura de Moisés pode ser uma causa direta para se escrever aos gentios que se abstenham de sangue?

A resposta pode ser encontrada examinando quais são as quatro coisas enumeradas aqui. Recordemos o resumo dos regulamentos de Levítico 17:1 a 18:27. Estas eram algumas partes específicas da lei dietética, nomeadamente, eram aquelas partes que também se aplicavam aos estrangeiros vivendo em Israel. As regras que Tiago pediu que os cristãos gentios aceitassem eram exatamente as mesmas regras que um estrangeiro vivendo em Israel tinha de aceitar. Ele tinha de se abster de ofertas de alimento aos ídolos, de comer sangue e animais estrangulados (evidentemente incluindo aqueles que tinham morrido por si mesmos), e tinha de respeitar as leis relativas ao sexo, que iam muito para além da definição de "fornicação" que um gentio conhecia.

As quatro coisas que Tiago enumerou são os mesmos regulamentos que encontramos em Levítico 17 e 18, e até são enumerados pela mesma ordem.

É sobre isto que a Sociedade Torre de Vigia não quer que os seus seguidores pensem. As palavras em Atos 15:21 "Pois, desde os tempos antigos...", não têm significado rigorosamente nenhum se estas são leis absolutas e universais de Deus para a humanidade. Como é que a leitura da lei de Moisés em sinagogas judaicas podia ser uma razão para gentios aderirem a leis universais? Ao contrário, faz todo o sentido quando compreendemos que estas eram as leis mínimas a que um cristão gentio tinha de obedecer para ser de algum modo aceite numa comunidade judaica.

Nas partes orientais do Império Romano, fora da Palestina, cerca de 15 a 20% da população era constituída por judeus. Normalmente os judeus e os gentios não se associavam uns com os outros (veja Gálatas 2:11-14). No entanto, se os cristãos gentios aceitassem estes regulamentos estabelecidos para estrangeiros vivendo em Israel, seria socialmente mais aceitável para os cristãos judeus associar-se com eles. Esta condição para a associação era bem conhecida, não só para os judeus, mas também para gentios. Tiago referiu-se a este fato quando resumiu rapidamente a lei em Levítico 17:1 a 18:27 com as palavras "que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue".

Esta é a explicação que reúne o acordo da vasta maioria dos peritos:

"O motivo para emitir o Decreto Apostólico, deve notar-se, foi resolver a questão de saber se devia exigir-se que os gentios convertidos ao cristianismo se submetessem ao ritual da circuncisão e cumprissem os outros estatutos mosaicos. O Concílio decidiu que tal observância não era requerida para a salvação; contudo, ao mesmo tempo, com o objetivo de evitar ofender desnecessariamente os cristãos judeus (e judeus que consideravam a hipótese de tornar-se cristãos), o Concílio pediu aos gentios convertidos que fizessem certas concessões por razões de prudência, abstendo-se daqueles atos que ofenderiam os escrúpulos judeus e que impediriam o convívio social [entre gentios e judeus], incluindo a participação em comum na Ceia do Senhor."1

"Continuava a haver, porém, um problema prático. Na maioria das igrejas os crentes gentios tinham de viver lado a lado com crentes judeus, que tinham sido educados na observância de várias leis alimentares e a evitar tanto quanto possível o convívio social com gentios. Embora já não fosse necessário requerer aos gentios que se submetessem à lei cerimonial, eles fariam bem em comportar-se de um modo que mostrasse consideração para com os seus "irmãos mais fracos" de nascimento judeu, pois não se podia esperar que todos estes adquirissem uma perspectiva tão emancipada em relação às leis alimentares como Pedro e Paulo. Portanto, sem comprometer a liberdade cristã dos gentios, Tiago apresentou a sua opinião considerada de que devia pedir-se-lhes que respeitassem os escrúpulos dos seus irmãos judeus, evitando carne que tinha associações idólatras ou que não tivesse sido devidamente sangrada, e por conformarem-se ao alto código judeu de relações entre os sexos em vez de continuarem contentes com os padrões pagãos mais baixos a que tinham sido habituados. Isto suavizaria o caminho da associação social e à mesa [das refeições] entre os cristãos de nascimento judeu e gentio."2

"[Versículo] 20. mas devemos instruí-los: A ligação adversativa disto a "afligir" (v. 19), e a recapitulação dos versículos 10-11 no versículo 19, demonstram que o 'decreto' é uma concessão em vez de uma imposição, tornando possível a vida e as refeições em comum sem lançar qualquer ônus sobre os recém-chegados. As quatro condições (também no versículo 28; 21:25) parecem ser quatro das coisas proscritas em Levítico 17-18 para estrangeiros residindo em Israel: carne oferecida a ídolos, comer sangue e comer animais estrangulados (não mortos segundo o ritual), e relações sexuais com parentes próximos".3

Esta interpretação também é apoiada por vários outros versículos da Bíblia que a Sociedade Torre de Vigia se vê obrigada a explicar de forma diferente. Examinemos em primeiro lugar a conclusão do concílio. Eis os versículos tão bem conhecidos, e tão pouco compreendidos, pelas Testemunhas de Jeová:

"Mandamos, portanto, Judas e Silas, para que eles também possam relatar as mesmas coisas por palavra. 28 Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: 29 de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!" (Atos 15:27-29)

As Testemunhas de Jeová geralmente interpretam isto como uma ordem para se abster de, entre outras coisas, sangue. Porém, tal como várias fontes acima citadas notaram, o texto não é uma ordem. O bem conhecido comentarista bíblico F. F. Bruce diz:

"Embora o grego do N[ovo] T[estamento] seja bem fornecido de verbos de ordem, é digno de nota, conforme F. J. A. Hort frisou, que nenhum deles seja usado aqui."4

Mesmo que este texto se aplicasse a cristãos que vivem hoje, as próprias palavras testificam que definitivamente não é uma ordem. Bruce também cita Hort como tendo dito que o texto é "uma forte expressão de opinião, mais do que conselho e menos do que uma ordem."5 A partir daqui, compreendemos que quando o concílio disse "estas coisas necessárias", referia-se a coisas necessárias para evitar conflito entre cristãos judeus e gentios, que era o motivo da toda a controvérsia desde o início.

Vários outros versículos bíblicos apoiam esta conclusão:
Atos 21 -- "Todos eles são zelosos da Lei"

A fricção entre cristãos judeus e gentios não terminou com o assim chamado decreto do Concílio Apostólico de Atos capítulo 15. Antes pelo contrário, quando Paulo voltou a Jerusalém algum tempo depois ele viu-se metido no meio da mesma discussão. Tiago disse-lhe:

"Observas, irmão, quantos milhares de crentes há entre os judeus; e todos eles são zelosos da Lei. 21 Mas eles ouviram rumores a respeito de ti, de que tens ensinado a todos os judeus entre as nações uma apostasia contra Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem os seus filhos nem andem nos costumes [solenes]. 22 O que se há de fazer, então, a respeito disso?" (Atos 21:20-22)

Obviamente, embora Tiago e toda a congregação em Jerusalém já tivessem decidido que isto estava de fato correto, muitos tinham dificuldade em engolir isso, especialmente os judeus de conversão mais recente. Com efeito, já era suficientemente grave que os gentios não fossem obrigados a seguir a Tora, mas a conclusão óbvia de que os cristãos judeus também não precisavam de a seguir era tão controversa que Tiago nem sequer se atreveu a levantá-la. Antes pelo contrário, Tiago delineou duas linhas de ação para acabar com os assim chamados rumores de que Paulo estava a falar contra Moisés: Paulo devia realizar um ritual judaico bem conhecido, a purificação cerimonial, junto com quatro homens cristãos judeus muito obedientes à Lei. Isto daria a todos os judeus a impressão de que os rumores eram falsos e que Paulo estava 'guardando também a Lei'.

Tiago e os outros, conforme vimos, já tinham enviado uma carta instruindo os cristãos gentios a não ofenderem os judeus:

"Quanto aos crentes dentre as nações, já avisamos, dando a nossa decisão, de que se guardem do que é sacrificado a ídolos, bem como do sangue e do estrangulado, e da fornicação." (Atos 21:25)

Estas duas linhas de ação foram levadas a cabo para evitar ofender os cristãos judeus. O contexto e a mensagem de ambas as ocorrências da lei contra o sangue no Novo Testamento (Atos 15 e 21) é que esta lei era unicamente para evitar fazer tropeçar os irmãos judeus. Esta não era uma lei universal para todos os homens, era unicamente uma questão de respeito pelas consciências dos cristãos judeus.
1 Coríntios 8 -- Carne oferecida a ídolos

Paulo trata da questão de fazer outros tropeçar versus liberdade na sua primeira carta aos Coríntios. O assunto que foi tratado em Jerusalém e que discutimos acima, é tratado diretamente por Paulo nesta carta. Aqui, ele confirma diretamente que a regra sobre abster-se de ofertas a ídolos (e isto tem naturalmente de se aplicar de forma igual ao sangue) não era uma lei universal, era antes uma recomendação feita para evitar que outros tropeçassem:

"Agora, acerca dos alimentos oferecidos a ídolos: sabemos que todos nós temos conhecimento. [...] 4 Ora, acerca de comer alimentos oferecidos a ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há Deus senão um só. [...] 7 Não obstante, nem em todos há tal conhecimento; mas alguns, acostumados até agora com o ídolo, comem o alimento como algo sacrificado a um ídolo, e a consciência deles, sendo fraca, fica poluída." (1 Coríntios 8:1, 4, 7)

Isto coloca um problema significativo à interpretação da Sociedade Torre de Vigia sobre Atos 15. A solução óbvia, que a interpretação da Sociedade Torre de Vigia está errada, é evidentemente inaceitável para eles. Se admitissem que a interpretação está errada, podiam perder muito prestígio, e foi derramado tanto sangue literal ao ser seguida a proibição do sangue que esta tem de ser defendida a todo o custo. A Sentinela de 1.º de abril de 1979, pp. 31-32, tenta responder a isto numa coluna de "Perguntas dos Leitores":

"Será que o apóstolo Paulo discordou do corpo governante do primeiro século na questão de comer carne oferecida aos ídolos, conforme alguns concluem em vista da comparação de Atos 15:28, 29, com 1 Coríntios, capítulo 8?"

O modo como a pergunta está redigida pressupõe uma interpretação de Atos 15 para a qual não há apoio no próprio texto. É óbvio que a Sociedade Torre de Vigia não se quer arriscar a fazer a pergunta correta nas suas revistas, pois isso poderia levar algumas Testemunhas a pensar com clareza. De modo que a Sociedade Torre de Vigia toma a sua interpretação de Atos 15 como um dado adquirido, e constrói uma possível auto-contradição na Bíblia. Assim o leitor terá a sua atenção focada na resolução da aparente contradição, e vemos que a Sociedade Torre de Vigia afasta cuidadosamente a atenção de toda e qualquer idéia que pudesse sugerir que a solução [da contradição] está na interpretação errada da Sociedade Torre de Vigia quanto à situação que estava por detrás do concílio apostólico, e não na interpretação das palavras "carne oferecida a ídolos".

E no entanto, é esta última a explicação que a revista apresenta. A pergunta correta não é feita na revista, por medo de dizer às Testemunhas de Jeová que este argumento existe, mas ainda assim a Sociedade Torre de Vigia tenta lidar com o argumento neste artigo, que declara:

"O que o decreto em Atos 15:28, 29, proibia era o cristão participar numa cerimônia formal, religiosa, ou cometer um ato de idolatria. Os que sacrificavam um animal ao ídolo obtinham parte da carne para comer. Fazerem isso era claramente um ato religioso; era considerado como participando numa refeição com o deus pagão. (Êxo. 34:15; Deu. 32:17; 1 Cor. 10:18-21) Os cristãos absolutamente não podiam fazer isso. O decreto do corpo governante cristão havia proibido isso, e Paulo estava de pleno acordo. Escreveu: "Portanto, meus amados, fugi da idolatria." -- 1 Cor. 10:14; 1 Tes. 1:9." (A Sentinela, 1.º de abril de 1979, pp. 31-32)

Isto não é uma resposta, é uma contradição direta do que o texto da Bíblia diz! Atos 15:29 e 1 Coríntios 8:4 usam exatamente a mesma palavra grega. Em ambos os textos a palavra é eudolóthutos, conforme se pode confirmar consultando a Kingdom Interlinear Translation [Tradução Interlinear do Reino] da Sociedade Torre de Vigia. No entanto, a Tradução do Novo Mundo, que afirma ser uma tradução literal, diz "coisas sacrificadas a ídolos" em Atos 15:29 e "alimentos oferecidos a ídolos" em 1 Coríntios 8:4, não havendo qualquer outra razão [para traduzir a mesma palavra (eudolóthutos) de modo diferente nos dois textos] que não seja esconder as similaridades.

Não existe evidência absolutamente nenhuma de que o decreto apostólico fosse sobre "participar numa cerimônia formal, religiosa, ou cometer um ato de idolatria". Conforme vimos, Paulo usa exatamente a mesma expressão que Lucas usou em Atos 15:29. Não há nada no contexto, ou na expressão, que indique que Atos se refere a qualquer outra prática além de comer carne oferecida a ídolos. Embora Atos 15:20 use uma expressão diferente (a Tradução do Novo Mundo diz "coisas poluídas por ídolos"), isto não dá apoio nenhum à Sociedade Torre de Vigia. A carta final e a expressão oral que Tiago usou tinham de significar exatamente a mesma coisa, caso contrário a carta não seria entendida corretamente. Não há evidência de que esta expressão se referia a outra coisa que não fosse pura e simplesmente "carne oferecida a ídolos", e vimos isto confirmado em Atos 21.

Estes dois textos juntos provam que o texto em Atos 15:28, 29 não é um mandamento universal. Era uma forte recomendação para os cristãos gentios seguirem certas regras da Tora para evitar fazer tropeçar os seus irmãos judeus. Paulo confirma isto, e apoia a mesma recomendação, mas também declara que desde que não se faça tropeçar um irmão, é perfeitamente aceitável comer este alimento.

Finalmente, aqueles que hoje insistem em argumentar sobre leis dietéticas fariam bem em acatar o seguinte aviso do próprio Jesus Cristo:

"Não há nada de fora dum homem passando para dentro dele que possa aviltá-lo; mas as coisas que procedem do homem são as que aviltam o homem. [...] 21 pois, de dentro, dos corações dos homens, saem raciocínios prejudiciais". (Marcos 7:15, 21)

Notas

1 Bruce M. Metzger, A Textual Commentary on the Greek New Testament, (Londres: United Bible Societies, 1971-1975), p. 430.

2 F. F. Bruce, Commentary on the Book of the Acts, (Grand Rapids, Mi: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1962), p. 311.

3 Richard J. Dillon, The New Jerome Biblical Commentary, (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1990), p. 752.

4 F. F. Bruce, Commentary on the Book of the Acts, (Grand Rapids, Mi: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1962), p. 315.

5 F. F. Bruce, The Acts of the Apostles, 1990, p. 346.

domingo, 5 de dezembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

DOM DEMÉTRIUS
BISPO DO RIO DE JANEIRO


Em geral no ocidente, e em especial no Brasil, costuma-se pensar o cristianismo como uma realidade configurada em dois formatos: O cristianismo Católico Romano e o Protestante. Assim, quando um ocidental ouve falar em Igreja Ortodoxa procura situá-la em uma destas duas fórmulas.
Mas, é justamente aí que onde se apresenta o primeiro entrave para uma compreensão correta sobre a Ortodoxia: Ao olhar as nossas formas litúrgicas, as indumentárias do clero e a arquitetura das nossas igrejas, procurarão situar-nos no universo da Igreja de Roma; no entanto, os nossos diversos nomes (Igreja Grega, Alexandrina, Antioquina, Russa e etc) poderão fazê-los pensar tratar-se de uma estrutura fragmentada, à semelhança das comunidades protestantes. Alguns acharão que somos uma igreja mista, uma espécie de síntese das duas vertentes do cristianismo conhecido e, outros, pensarão tratar-se de um cisma da Igreja de Roma.

Surpresa inimaginável toma conta daqueles que ao se deparar com a história do Cristianismo constatam que a Igreja Ortodoxa é a mesma Igreja desde a fundação do Cristianismo por Jesus e transmitida pelos apóstolos. Por isto nos chamamos ortodoxos, pois preservamos esta herança sem nenhum desvio, acréscimos ou subtrações; que na verdade a estrutura monárquica e piramidal do Catolicismo Romano e “anarquia” Protestante são na verdade derivações e adaptações históricas do modelo ortodoxo, o qual era comum a todas as regiões (oriente e ocidente) durante os primeiros mil anos do cristianismo.

Encontram-se publicados em português diversos textos na internet sobre a fé e a prática da Igreja Ortodoxa. Segue abaixo conexões para aqueles que, em nossa opinião, resumem bem o que é Ortodoxia.


A Santa Igreja Ortodoxa (Bispo Kalistos Ware, tradução Rev. Pedro Oliveira);

"A Ortodoxia não é um tipo de Catolicismo Romano sem o Papa, mas sim alguma coisa muito diferente de qualquer outro sistema religioso do ocidente. No entanto, aqueles que olharem mais de perto esse "mundo desconhecido”, nele descobrirão muita coisa que, mesmo diferente, é, ao mesmo tempo, curiosamente familiar, "mas isto é aquilo no qual sempre acreditei!." Esta tem sido a reação de muitos ao aprender, mais profundamente, sobre a Igreja Ortodoxa e sobre o que ela ensina; e eles estão parcialmente certos. Por mais de novecentos anos, o Oriente Grego e o Ocidente Latino têm se desenvolvido firmemente separados cada um seguindo seu próprio caminho, tendo tido, no entanto, solo comum nos primeiros séculos da Cristandade. Atanásio e Basílio viveram, no oriente, mas eles pertencem, também, ao ocidente; e Ortodoxos que viveram na França, Bretanha ou Irlanda podem, por sua vez, olhar para os santos nacionais dessas terras — Albano e Patrick, Cuthbert e Bede, Geneviéve de Paris e Augustine de Canterbury — não como estranhos, mas como membros de sua própria Igreja. Toda a Europa foi um dia tão parte da Ortodoxia como a Grécia e a Rússia são hoje em dia."

A Igreja Ortodoxa No Mundo (Metropolita George El Haj);

Ortodoxia é a autêntica religião cristã pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitida pelos Apóstolos aos seus próprios sucessores e aos fiéis, e preservada zelosamente em sua pureza cristalina pela Igreja Ortodoxa, através dos séculos. É a doutrina certa e justa, compreendida sem subtração e sem acréscimo nas Sagradas Escrituras, na Tradição e nos Sete Concílios Ecumênicos. É ortodoxo aquele que segue a doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e os ensinamentos da Igreja Ortodoxa. Exatamente, o ortodoxo é aquele que segue a doutrina reta e direita de Jesus Cristo. A Igreja Ortodoxa por sua vez, é a sociedade fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a fé dos doze Apóstolos para os fiéis cristãos que obedecem aos canônicos pastores e vivem unidos pelos elos da Doutrina, das leis de Deus, da hierarquia divinamente instituídas e da prática dos Sacramentos.

Teologia Dogma Ortodoxa (Um compêndio de teologia dogmática de autoria do Pe. Michael Pomazanski e tradução do Rev. Pedro Oliveira);

A Igreja Ortodoxa de Cristo é o Corpo de Cristo, um organismo espiritual cuja cabeça é o Cristo. Ela tem um único espírito, uma única fé comum, uma única e comum consciência católica, guiada pelo Espírito Santo; e seus raciocínios são baseados nas concretas e definidas fundações da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição Apostólica. Essa consciência é expressada nos Concílios Ecumênicos da Igreja. Desde uma profunda antigüidade Cristã, concílios locais de Igrejas separadas reuniam-se duas vezes por ano, de acordo com o 37º cânon dos Santos Apóstolos. Da mesma forma, freqüentemente na história da Igreja existiram concílios de bispos regionais representando uma área mais ampla do que a de Igrejas individuais e, finalmente concílios de bispos de toda a Igreja Ortodoxa tanto do Oriente quanto do Ocidente. Tais Concílios Ecumênicos a Igreja reconhece em número de sete. Os Concílios Ecumênicos também formularam numerosas leis e regras governando a vida pública e privada da Igreja Cristã, que são os chamados canons da Igreja, e que requeriam sua observância universal e uniforme. Finalmente, os Concílios Ecumênicos confirmaram decretos dogmáticos de numerosos concílios locais e também regras dogmáticas compostas por certos padres da Igreja — por exemplo a confissão de fé de São Gregório, o Taumaturgo, Bispo de Neo-Cesareia (Para o texto das "Epístolas Canônicas" de São Gregório, ver Seven Ecumenical Councils, p. 602, Eedermans), o cânon de São Basílio, o Grande (O texto dos canons de São Basílio é encontrado no mesmo livro de Eedermans nas p. 604-611), e assim por diante.


Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 11h46
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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA



A intolerância religiosa é uma doença que de tempos em tempos torna se epidêmica e precisa de tratamento continuando prevenção. É um mal social, cuja cura passa pelo cumprimento da lei e pela educação. Um mal que atinge uma camada imensa da população global, que fere a dignidade humana, e a liberdade de consciência baseando-se no preconceito, na discriminação e na pretenção de alguns em serem "os donos da Verdade", que se sentem possuidores de alguma "procuração de Deus" para em seu nome, ivadir a privacidade do outro. E o outro é aquele a quem se dá o direito de ter pensamento próprio, aquele a quem não se dá a liberdade de ser quem é, aquele que o intolerante julga intelectual e moralmente incapaz de fazer uma escolha "CERTA" porque qualquer escolha que nãoseja a sua - do intolerante - é errada. Para se tentar acabar com a intolerância, é imprescidível tratá - la como doença, cujos remédios são a detecção e denúcia de sua existência, a exigência do cumprimento da lei e para prevenir sua recidiva e evitar o surgimento de novos casos; a execução uma ação intenciva e continuada de conscientização e educação e plena; uma educação para aq tolerância, para a compreensão e o respeito. A intolerância religiosa nasce da "fé cega" e não raciocinada de muitosdirigida de uns poucos que se aproveitam dos fies para obter poder, riqueza, e vingança. Vingança quanto àquilo que não encontram em si mesmos, resultante da inveja, do ressentimento e da incapacidade de ser verdadeiro, original, de encarar de frente a luta para se ver livres de suas fraquezas, de agir com liberdade, de ser feliz. Nasce do desejo de destruir no outro aquilo que mais se admira, porém não se tem força determinação, ousadia ou poder para ser. Para a análise é conveniente que saibamos os dispositivos constitucionais: CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL." Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes nos termos seguintes:

VI - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgia;

VII - É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entodades civis e militares de internação coletivas;

VIII - Ninguém será privado de doreitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou politica, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar - se a cumprir prestação alkternativa, fixa em lei".

Lei Nº 9.459, DE 13/05/1997

( Que deu nova redação aos Art. 1º e 20, da lei Nº 7.716, de 05/01/1989):

Art. 1°. Serão punidos, na forma deste lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceitos de raça, cor etnia, religião ou procedência nacional.

Art. 20 Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor Etna, religião ou procedência nacional. Pena: recrusão de um 1 ( um ) a (trêz) anos e multa".







Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 11h01
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22/01/2010

21.º) EM QUE ESTÁ BASEADA A DOUTRINA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA?

A Igreja crê nas verdades que a Ortodoxia ensina e se acham contidas no Credo Niceno-Constantinopolitano, onde se afirma:
Credo Niceno-Constantinopolitano
1.o Creio em Um só Deus, Pai Onipotente, Criador do Céu e da terra, de tudo o que visível e invisível;
2.o E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro, gerado e não criado, Consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas;
3.o Que desceu dos Céus por causa de nós homens, e para a nossa salvação; e encarnou-se pelo Espírito Santo, na Virgem Maria e se fez homem;
4.o E foi crucificado por nossa causa, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.
5.o E ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
6.o E subiu aos céus e sentou-se à direita do Pai.
7.o E novamente virá com glória, para julgar os vivos e os mortos e cujo Reino não terá fim.
8.o E no Espírito Santo, Senhor Vivificante, que do Pai procede e que é com o Pai e o Filho adorado e glorificado, e que falou pelos profetas;
9.o E em Uma Igreja, Santa, Católica e Apostólica;
10.o Confesso, também, um só Batismo para remissão dos pecados;
11.o E espero a ressurreição dos mortos;
12.o E a vida do século futuro. AMÉM.

22.º) EM QUE A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA CRÊ, SEGUNDO O CREDO POR ELA PROFESSADO?

Dados Históricos
O Credo que nós vamos explicar aqui, foi composto pelos Pais do primeiro e do segundo Concílio Ecumênico.
No primeiro Concílio Ecumênico, foram escritas as primeiras sete componentes do credo. No segundo, foram escritas as cinco restantes. O primeiro concílio ecumênico deu-se na cidade de Nicéia, no ano 325 da era cristã, com a finalidade de aprovar o ensinamento dos apóstolos sobre o Filho de Deus contra o ensinamento de Ario, que considerava que o Filho de Deus fora criado pelo Pai e por isso não é o verdadeiro Deus. O segundo concílio ecumênico, deu-se na cidade de Constantinopla, no ano 381 D.C., para aprovar o ensinamento dos apóstolos contra o falso (ensinamento) de Macedônio que rejeitava o valor Divino do Espírito Santo. Segundo as duas cidades onde se deram esses concílios, o Credo chama-se "Niceo-Constantinopolitano."
O Credo consiste em 12 partes: a primeira fala de Deus Pai, da segunda à sétima fala-se de Deus Filho, a oitava fala de Deus Espírito Santo, a nona fala da Igreja, a décima do Batismo, a décima-primeira e a décima-segunda - da ressurreição dos mortos e da vida eterna.
O Significado da Palavra Latina “Credo”
A palavra latina credo, significa "creio." Na Igreja Ortodoxa, o credo é geralmente chamado de Símbolo da Fé, que significa "expressão" ou "confissão" da fé.
O Credo é uma oração onde está redigida, breve e concretamente a verdade fundamental da religião ortodoxa.
Uma pessoa sem fé, é como um cego. A fé dá à pessoa uma visão espiritual, para ajudá-la a perceber o sentido do que acontece à sua volta; como e porque tudo foi criado, qual é o objetivo da vida, o que está correto e o que não está e para o que devemos nos empenhar.
Desde os tempos antigos, os cristãos têm usado o credo para serem lembrados sobre os fundamentos da Fé Ortodoxa. Na igreja antiga, existiam vários credos, mas eram curtos. Porém, no século IV, apareceram ensinamentos falsos sobre o Filho de Deus e o Espírito Santo. Então, foi necessário completar todos estes credos e definir mais claramente os ensinamentos da Igreja.


O Credo, Dividido em Doze Partes
1. Creio em um só Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
2. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, Unigênito, nascido do Pai antes de todos os séculos: Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por Ele todas as coisas foram feitas.
3. Por nós homens, e pela nossa Salvação, desceu dos Céus e encarnou pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria e se fez homem.
4. Foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado.
5. E ressuscitou ao terceiro dia conforme as escrituras,
6. subiu aos Céus, e se sentou à direita do Pai.
7. De novo há de vir em Sua glória, para julgar os vivos e os mortos, e o Seu Reino não terá fim.
8. E no Espírito Santo, Senhor que dá vida, procede do Pai e com o Pai e o Filho, é igualmente adorado e glorificado, e que falou pelos profetas.
9. Na Igreja uma, santa, católica e apostólica.
10. Professo um só batismo, para remissão dos pecados.
11. Espero a ressurreição dos mortos,
12. e a vida do século futuro. Amém.
Em Que Nós Cremos Segundo o Credo?
Nós começamos o credo com a palavra "creio," porque a essência das nossas convicções religiosas não se baseia numa experiência exterior, mas sim na recepção das verdades oferecidas por Deus. Os objetos ou fenômenos do mundo espertou não podem ser verificados em laboratório nem se podem provar pelo meio de uma lógica - eles entram na esfera da experiência religiosa individual de cada pessoa. Porém, quanto mais uma pessoa progride na sua vida espiritual, por exemplo: quanto mais ela reza, pensa em Deus e pratica boas ações, mais evolui a sua experiência religiosa e mais claras e evidentes se tornam para ela as verdades da religião. Deste modo, a fé para uma pessoa crente torna-se um objeto da sua experiência individual.
I - Cremos: que Deus é a plenitude da perfeição: Ele é o Espírito inteiramente perfeito, eterno, Todo-poderoso e Sábio. Deus está em todo lado, vê e sabe tudo mesmo antes que algo aconteça, Ele é infinitamente bom, justo e santíssimo. Ele não tem necessidade de nada e é a razão principal de tudo o que existe.
II - Cremos: que Deus é uno no Seu ser e tríade de pessoas (isto é, o verdadeiro Deus apareceu a nós como o Pai, o Filho e o Espírito Santo), que é a Trindade, consubstancial e inseparável. O Pai não nasce nem provem de outra Pessoa (da Trindade), o Filho nasceu do Pai antes dos séculos, e o Espírito Santo provem do Pai antes dos séculos.
III - Cremos: que todas as Pessoas ou hipóstases de Deus, são iguais entre si na perfeição, grandeza, poder e glória Divina, ou seja, - nós cremos que o Pai é o Deus verdadeiro e perfeito, e que o Filho é o Deus verdadeiro e perfeito, e que o Espírito Santo é o Deus verdadeiro e perfeito. Por isso, nas orações nós louvamos ao mesmo tempo o Pai, o Filho e o Espírito Santo como um só Deus.
IV - Cremos: que todo o mundo invisível e visível foi criado por Deus. Primeiro, Deus criou o mundo invisível, o grande mundo dos anjos ou, como se diz (na Bíblia "céu)," depois, criou o nosso mundo material ou físico (na Bíblia - "terra"). Deus criou o mundo físico do nada, contudo não foi de repente, mas pouco a pouco, durante períodos de tempo que na Bíblia se chamam "dias." Deus criou o mundo sem ter indispensabilidade ou necessidade dele, mas pela sua benevolência, para que outros seres criados por Ele desfrutem da vida. Sendo infinitamente bom, Ele criou tudo bom. O mal no mundo provém do abuso da livre vontade que Deus deu aos anjos e as pessoas. Assim, por exemplo, o diabo e os seus demônios antes eram anjos bons, mas eles se revoltaram contra Deus e se tornaram maus. Daí, foram expulsos do paraíso e formaram o seu próprio reino do mal que se chama "inferno." Desde esse tempo eles incitam as pessoas a pecar e são os inimigos da nossa salvação.
V - Cremos: que Deus tem tudo em Seu poder, ou seja, que Ele dirige tudo e leva tudo para um bom destino. Deus ama-nos e preocupa-se conosco como uma mãe com o seu filho. Por isso, nenhum mal pode acontecer à pessoa que confia em Deus.
VI - Cremos: que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, pela nossa salvação, desceu dos céus e encarnou pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria. Sendo Deus desde a infinidade, nos dias do Rei Herodes tomou a nossa natureza humana, - a alma e o corpo e por isso Ele é, ao mesmo tempo, o verdadeiro Deus e o verdadeiro Homem ou Deus-homem. Ele reúne na mesma pessoa duas naturezas, a Divina e a humana. Essas naturezas estarão Nele para sempre sem modificação, não se misturando nem se transformando numa outra natureza.
VII - Cremos: que o Senhor Jesus Cristo vivendo na terra, com o Seu ensinamento, exemplos e milagres, iluminou o mundo, ou seja, ensinou os homens em que é que eles devem acreditar e como devem viver para entrarem na vida eterna. Com as Suas orações ao Pai, com a absoluta realização da vontade Dele, com o Seu sofrimento e a morte na cruz Ele venceu o diabo, resgatou o mundo do pecado e da morte. Com a Sua ressurreição, Ele pôs início à nossa ressurreição. Subindo com o Seu corpo aos Céus, o que aconteceu no quadragésimo dia depois da ressurreição dos mortos, o Senhor Jesus Cristo se sentou "à direita do Deus Pai," ou seja, como Deus-homem, Ele tomou o mesmo poder com o Seu Pai e a partir daí comanda juntamente com Ele os destinos do mundo.
VIII - Cremos: que o Espírito Santo, provendo do Deus Pai desde o início do mundo, juntamente com o Pai e com o Filho dá existência e vida a todas as criaturas e dirige tudo. Ele é a fonte da abençoada vida espiritual tanto para os anjos como para as pessoas, e ao Espírito Santo deve-se honra e glória igualmente ao Pai e ao Filho. No Velho Testamento, o Espírito Santo falava através dos profetas, depois, no início do novo testamento Ele falava através dos apóstolos, e agora age na igreja cristã, direcionando os pastores da igreja e os cristãos ortodoxos para a verdade.
IX - Cremos: que Jesus Cristo para a salvação de todos os que crêem Nele, criou aqui na terra a Igreja enviando aos apóstolos o Espírito Santo no dia de Pentecostes. Desde então, o Espírito Santo permanece na igreja, nessa comunidade abençoada de cristãos com fé, e a guarda na pureza do ensinamento de Cristo. Além disso, a benção do Espírito Santo que permanece na Igreja, purifica os que se arrependem dos seus pecados, ajuda os crentes a progredir nas boas ações e os abençoa.
X - Cremos: que a Igreja é Una, Santa, Católica (Universal) e Apostólica. Ela é Una, porque todos os cristãos ortodoxos, mesmo pertencendo a diferentes igrejas do local, formam uma família juntamente com os anjos e os santos nos Céus. A união da Igreja baseia-se na união da fé e da benção. A Igreja é Santa, porque os seus filhos fiéis são santificados com a palavra de Deus, a oração e os sacramentos Sagrados. A igreja é Católica (Universal), porque está dedicada às pessoas de todos os tempos e de todas as nacionalidades. A Igreja é Apostólica, porque guarda o ensinamento dos apóstolos, recepção sacerdotal, que desde o tempo dos apóstolos até ao nosso tempo é passada de Bispo para Bispo no sacramento da Ordenação. Segundo a promessa do nosso Salvador, a Igreja permanecerá invencível pelos inimigos até ao final da existência do mundo.
XI - Cremos: que no sacramento do Batismo, se perdoam todos os pecados e que através desse sacramento a pessoa se torna membro da igreja, ao qual está aberto o caminho para outros dos seus sacramentos salvadores. No sacramento da Crisma, é dada ao crente a benção do Espírito Santo; no sacramento da penitência ou Confissão são perdoados os pecados cometidos na idade madura; no sacramento da Comunhão que acontece durante a Liturgia, os crentes comungam o verdadeiro Sangue e Corpo de Cristo; no sacramento do Matrimônio, estabelece-se uma união inseparável entre o marido e a mulher; no sacramento da Ordenação, os servidores da igreja, sacerdotes diáconos e bispos são ordenados para servir a Igreja; no sacramento da Unção, é oferecida a cura à doenças espirituais e físicas.
XII - Cremos: que antes do fim do mundo, Jesus Cristo, acompanhado pelos anjos virá de novo à terra em glória. E então, todos pela Sua palavra ressuscitarão, ou seja, acontecerá o milagre no qual as almas das pessoas mortas voltarão para os corpos que lhes pertenciam antes de morrerem, e todas elas voltarão à vida. Durante a ressurreição dos corpos dos justos, tanto os ressuscitados como os vivos se renovarão e serão espiritualizados, como o corpo ressuscitado de Cristo. Depois da ressurreição, todas as pessoas comparecerão ao Julgamento de Deus, para que cada uma receba segundo o que fez enquanto viveu no seu corpo, o bem ou o mal. Depois do Julgamento, os pecadores que não se arrependeram, irão para o martírio eterno, - e os justos para a vida eterna. Assim começará o Reino de Cristo que não terá fim.
Com uma só palavra, "Amém," testemunhamos o fato de que recebemos de todo o coração e que consideramos verdadeira essa profecia da religião Ortodoxa.
O Credo é lido pela pessoa que recebe o batismo, durante a realização desse sacramento. No batismo de um bebê, o Credo é lido pelos padrinhos. Além disso, o Credo é cantado na igreja durante a Liturgia e deve ser lido todos os dias nas orações da manhã. Uma leitura atenciosa do Credo tem grande influência na nossa fé. Isso acontece porque o credo não é apenas uma fórmula da religião, mas é uma oração. Dizendo a palavra "creio," com disposição para a oração, e as outras palavras do credo, nós damos vida e fortificamos a nossa fé em Deus e em todas as verdades que o credo contém. É por isso que é tão importante para um cristão ortodoxo ler o Credo todos os dias, ou pelo menos regularmente.

Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 17h18
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31.º) QUANTO AO USO DO VÉU NA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA?

A Igreja Ortodoxa, ou Oriental, como é chamada aqui no Ocidente, preservou tanto a doutrina como o rico ritual litúrgico elaborado durante os primeiros tempos do Cristianismo. Seria este um meio capricho, ou um excessivo apego a um formalismo ritual? Temos aqui exatamente duas posturas, duas visões diferentes do mundo e da própria Igreja, e portanto, do seu ritual. São praticamente duas atitudes básicas diante do Sagrado. Da compreensão deste problema vai depender exatamente a verificação que o ritual ortodoxo é cheio de sentido e significado, visto que o universo simbólico da Sagrada Liturgia é preservado em todos os seus detalhes e em todo o seu rico conteúdo espiritual.
Neste sentido, podemos afirmar que o véu tem necessariamente um sentido e dimensão que ultrapassam o uso cultural ou qualquer distinção discriminatória para com o sexo feminino. Por que reduzir o mistério a simples categoria sociológica, histórica, sexual ou cultural Por que se adotam interpretações racionalistas e materialistas a uma dimensão que ultrapassa o tempo e o espaço? Ou o Sagrado está para além do concreto ou não existe? O Sagrado evidentemente se expressa e manifesta no mundo, mas está além dele! Aqui começa a distinção entre a recusa do véu, numa interpretação simplista e exterior ou a segunda opção apresentada pela Ortodoxia: viver o significado do véu dentro do universo do Rito Litúrgico, cujo sentido está evidentemente para além do uso do objeto "véu", fazendo deste um mero fim sem sentido.
O véu seria então um símbolo, portanto um sinal através do qual somos remetidos para um outro significado além dele; é um meio para ir a outra dimensão; chamemo-lo então: o sagrado. Por outro lado, o véu como elemento isolado não tem nenhum atributo especial ou mágico em si mesmo. Isto seria um erro grosseiro. Ele representa muito mais, é uma atitude, uma disposição, uma escolha.
Neste ponto se abre uma porta por onde podemos contemplar outra realidade, porque sendo uma atitude, isto significa escolha Se há escolha, há liberdade, então é possível compreender. Aqui entram em jogo dois atributos dados especialmente ao homem: liberdade (de escolher) e inteligência (para compreender).

Tem importância para a mulher o uso do véu na Igreja durante a liturgia? A prática ortodoxa afirma que sim.

O jogo litúrgico vai depender da liberdade de ir até ele e além dele, como da participação por meio da compreensão. Aqui chegamos à questão principal. Tem importância para a mulher o uso do véu na Igreja durante a liturgia? A prática ortodoxa afirma que sim - como se dá e porque é importante. O primeiro ponto é que reconhecendo o véu como símbolo, não se pretende esgotar todos os seus significados, porque não tem apenas um significado, mas vários, muitos... Podemos aqui sugerir alguns:
1. Deus criou o Homem e a Mulher, macho e fêmea os criou! Deus criando o mundo como uma coisa unida, integrada; dentro da criação, no entanto, há duas polaridades que vão realizar uma Unidade. O homem complemento da mulher e vice-versa, um precisa do outro. Como pode então um ser superior ao outro, se cada um precisa do outro? Na criação há outras dualidades: céu e terra, dia e noite, que correspondem também ao homem e à mulher numa relação integrada, harmônica. Portanto dentro da criação cósmica, cada polaridade tem seu lugar próprio, o equilíbrio do próprio Universo depende disso!...
Se a liturgia é uma celebração cósmica, esta vai conter os elementos que o próprio Deus estabeleceu e são chamados à Liturgia da maneira que Deus os criou: Homem e Mulher, cada um na plenitude do seu próprio sexo, porque cada um à sua maneira reflete a própria Unidade da Criação Esta distinção deverá ficar bem clara e estabelecida na Liturgia, onde cada um é chamado a assumir sua posição no mundo como homem ou mulher.
2. Criou o Céu e a Terra - Céu e Terra se complementam, o céu está em cima e a terra embaixo, o homem "cobre" a mulher; isto não significa superioridade de um sobre o outro, apenas lugares diferentes. Se a mulher vai representar a própria terra que é fecundada e coberta pelo céu, na Liturgia a mulher vai cobrir sua cabeça pois está diante de Deus, não diante dos homens!
3. A Virgem Maria - Na saudação do anjo Gabriel a Maria, para comunicar-lhe que seria a Mãe de Deus na terra, Deus escolhe uma mulher, claro! E aqui fica definido qual é a relação da humanidade, e especialmente da mulher, diante de Deus. O anjo lhe diz: "O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra". A mulher, portanto, diante de Deus, é receptiva e não passiva, posto que ela aceita, a vontade dela disse sim. "Faça-se em mim conforme sua palavra". O véu vai significar claramente a aceitação da palavra de Deus.
A mulher é naturalmente mais receptiva que o homem. Tem já o dom de gerar filhos; isto a torna co-participe na criação do mundo. Ela recebe o filho, isto não é nada passivo, muito pelo contrário. A mulher portanto é coberta por Deus, é um ser potencialmente mais "espiritual" que o homem.
4. A Virgem Maria e a Maternidade de Jesus - Uma mulher e não um homem é a pessoa que vai conhecer melhor o Cristo. Ela já o recebe no sim ao anjo! A partir disto Jesus vai crescendo dentro dela, é no seu interior que vai se desenvolvendo; ela então tem uma relação íntima, estreita como ninguém jamais a teve. O Espírito Santo a cobriu e ela concebeu; tudo se passou dentro dela, no maior mistério. Vemos sua barriga, sabemos que está grávida, mas não sabemos como é. É um mistério, está oculto - o mundo moderno quer descobrir tudo, nada escapa a isso, mesmo o Sagrado tem que ser exposto.
Na Liturgia Ortodoxa, o Santuário é separado dos fiéis e em dois momentos fecha suas portas aos olhos dos fiéis: na Prótese, que representa a vida oculta ou anterior de Cristo no mundo, e na Comunhão do Clero. O véu nas mulheres é a lembrança permanente dentro da Igreja daquilo que não vemos, que é mistério, está perto mas está encoberto por um véu.
5. O Véu do Santuário - O Santuário e sua porta representam a entrada (a Porta, o Cristo) ao Céu, que é coberto por um grande véu. Aqui na terra, portanto, um véu nos separa - do mistério da vida que está para além da porta que é o Cristo. Só o Espírito Santo nos faz enxergar para além do véu e do mistério; é necessária muita fé, a fé que a Virgem Maria nos ensina, a fé da mulher que espera um filho e vê nele um futuro distante.
A mulher representa a espiritualidade, ou seja, a receptividade a Deus para entrar com Cristo para além do véu e da porta do Santuário.
Portanto, o véu não é impedimento algum, mas confiança, fé e esperança de ir além dele para encontrar o Cristo. A mulher com véu vai representar a fé em algo que não vemos, está simplesmente encoberto!
6. Maria, a própria Igreja - Deus escolhendo Maria para Mãe de Cristo e Maria aceitando, se torna ela mesma o modelo de todos os cristãos, homens e mulheres. A Igreja é uma mulher, é o Corpo que recebe o Cristo. Encarnando aqui na terra Cristo se faz sangue. Ele é concreto. Em Maria a Mãe-Igreja é que recebemos o Cristo, gerado pelo Espírito Santo. A Igreja santificada e pura vai conhecer o Cristo intimamente, de dentro. Isto só é possível pelo mistério, não pode ser explicado, analisado, apenas vivido de dentro, como uma Mulher-Mãe-Maria o vive.
Se Maria é a Igreja onde Cristo nasce, o Cristo é a cabeça da Igreja, dirigida espiritualmente por ele; é a mulher com a cabeça coberta, porque coberta por Cristo, vai nos ensinar a fazer todos a sua santa vontade.
O véu será submissão a Cristo, e não aos homens. Igreja conduzida por Cristo; ele é a cabeça. Então a mulher aceita amorosamente se entregar a Cristo, aceitando que ele a cubra.


32.º) A FIDELIDADE DA FÉ NA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ORTODOXA ?

A Igreja Ortodoxa manteve sem acréscimos nem reduções a Lei que lhe foi confiada. Em três ocasiões, São Paulo recomendou ao discípulo Timóteo que mantivesse a fé, incólume e imaculada, tal como a recebera, dizendo-lhe:
"Eu te exorto diante de Deus... que guardes este mandamento sem mácula nem repreensão até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo" (I: VI-13 e 14).
"Timóteo! Guarda o que te foi confiado, evitando conversas vãs e profanas e objeções da falsa ciência, a qual tendo alguns professado, se desviaram da fé" (I: VI-20 e 21).
"Conserva o modelo de sãs palavras que de mim ouviste na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós" (II: I-13 e 14).
Um comentador das Epístolas apresentou o seguinte conceito:
Quem recebe um depósito, cumpre restituí-lo à pessoa que lho confiou. Um depósito não é propriedade do depositário; este deve repô-lo, completo, sem reduções nem modificações. O depósito, que é a fé, é muito precioso por constituir o direito de Deus, revelado à humanidade. Cabe a todo crente e, especialmente, aos mestres, que sejam fiéis na guarda desse depósito e transmiti-lo incólume e sem alterações àqueles que lhes sucederão.
Timóteo, o discípulo dileto do Apóstolo São Paulo que o sagrou Bispo de Éfeso, cidade situada no coração fervilhante da Anatólia, era igual aos primazes orientais, guardiões dos conselhos dos mestres, que os transmitiram aos sucessores sem nenhuma alteração. Os estudiosos da história do Oriente e os pesquisadores da verdade reconhecem que os homens do Oriente zelam com todo o rigor pelo que se lhes confia, mormente quando o objeto confiado é uma questão de fé, relacionada com o que representa as contas a serem prestadas no Dia do Julgamento.
Éfeso, que teve em Timóteo o seu primeiro bispo, permaneceu durante longo tempo como a vanguarda do cristianismo. Nela se realizou o VI Concílio Ecumênico. Os seus numerosos bispos contribuíram para a grandeza da Igreja, que deles se orgulha através dos séculos. O Bispo Marcos, um dos seus sábios prelados, de atitudes nobres e corajosas na defesa do cristianismo, compareceu ao Concílio de Florença, em 1439, batendo-se quase sozinho, sem medo e sem vacilação, com a maioria constituída de antagonistas, em defesa da fé confiada pelos seus antecessores.
O bispo Marcos não era, no Oriente, o único prelado íntegro e leal, zeloso pela pureza da fé; Como ele existiram numerosas e nobres personalidades. Assim, todas as deliberações dos Concílios Ecumênicos, arquivadas pela Igreja Ortodoxa, sem acréscimos ou reduções, foram a maior prova e o mais santo testemunho da conservação da fé, sã e intacta, na Igreja do Oriente.

33.º) CONCLUINDO... POR QUE SOU CRISTÃO ORTODOXO?

Sou Cristão Ortodoxo: Porque pertenço à sociedade de fiéis Cristãos unidos pela Fé Ortodoxa e vivem conforme aquilo que Ela ensina, obedece aos seus Pastores em tudo o que acontece à Glória de Deus e à Salvação da alma.
Sou Cristão Ortodoxo: Porque vivo e pratico a fé e a virtude na Igreja. Considero-me membro dela, por meio do Santo Batismo; assisto às Igrejas Ortodoxas, a seus cultos e sacerdotes; acerco-me dos Santos Sacramentos; escuto a Voz de Deus através de seus Vigários; trato de viver da Graça que se derrama continuamente sobre todos os seus filhos.
Sou Cristão Ortodoxo: Porque amo ao verdadeiro Deus, a Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, e ao Divino Espírito Santo; amo e procuro seguir sua Doutrina, seguindo assim o que ensina e prega a Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa.
Sou Cristão Ortodoxo: Porque creio exatamente no que os Apóstolos ensinaram.



Escrito por domdemetriusbispodosudeste às 16h57
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21/01/2010
A HISTÓRIA DA IGREJA ORTODOXA

POR REVERDENO CONSTANTINE CALLINIKOS

TRADUÇÃO: Rev Pedro Oliveira Junior.

Introdução.


Este livro é um da série que foi iniciada pela Santa Metrópole de Thyateira com a publicação do Catecismo Ortodoxo Grego. Este breve esboço da História da Igreja Ortodoxa pretende dirigir-se assim como a série mencionada, principalmente para Cristãos Ortodoxos, que tendo nascido em países onde sua língua mãe não é falada, ter mais facilidade em compreender na linguagem do país de sua adoção. Este livro não pretende ser de uso exclusivo para crianças aprenderem o catecismo, mas sim pretende ser do interesse de cristãos ortodoxos, que desejam ter um breve mas confiável relato da evolução da Igreja Ortodoxa através dos séculos da Era Cristã. Além disso, acreditamos que, apesar de existirem algumas obras em Inglês que tratam de maneira geral da Igreja Ortodoxa, este livro é o primeiro que contém uma breve história da Igreja Ortodoxa, o trabalho de um Erudito Ortodoxo, cai em mãos de leitores da língua Inglesa. É um livro que toca em todos os períodos da sua história e, acima de tudo, no último período, que, em sua maior parte, não foi estudado pelos não-Ortodoxos. As relações próximas que especialmente no passado recente, se desenvolveram entre as duas Igrejas, a Ortodoxa e a Anglicana, e os recentes contatos estabelecidos entre elas na Conferência de Lambeth, tornam o contexto desse livro, em tratando das projeções futuras da Igreja Ortodoxa interessante e atual.

A Compilação nesse trabalho foi confiado pela Santa Metrópole de Thyateira ao Vigário da Igreja Grega em Manchester, o Reverendo Constantino Callinicos, autor de muitos escritos religiosos e teológicos notáveis. Na recente publicação de um importante "Comentário sobre os Salmos," ele recebeu um sinal de honra das mãos do Patriarcado Ecumênico que lhe outorgou o título, de rara distinção na Igreja Ortodoxa, "Grande Economo da Grande Igreja." O Reverendo Callinicos cumpriu a tarefa que lhe foi confiada com grande perícia. Não só ele se absteve de insistir em questões que ainda que incluídas na vida e história da Igreja, não tem relação imediata com sua natureza essencial; ele também se recusou a meramente recolher material que é facilmente obtenível nos escritos históricos de outras Igrejas. Seu profundo amor pela, e devoção à Igreja Ortodoxa, sua insistência na verdade histórica e acuracia, e, finalmente seu estilo polido de escrever, são características do presente trabalho do autor, assim como de todos os seus trabalhos.

A tradução para o Inglês foi conduzida zelosamente por Miss Natzio. O fato de que essa Senhora nasceu e foi criada na Inglaterra, e tem uma carreira de sucesso na Universidade da Inglaterra (B.A. e B.Utt. Oxford), tem, em si, a garantia de uma tradução acurada e perfeita. A ambos, autor e tradutora, portanto, expressamos nossos calorosos aagradecimentos e damos nossa benção.

É nossa esperança, que esse livro, preenchendo o propósito para o qual foi escrito, possa ajudar a tornar a Igreja Ortodoxa mais amplamente conhecida; — uma Igreja que, no passado, aguou a árvore do Cristianismo quando ela primeiro foi plantada nessa terra com o sangue de seus mártires, e ainda hoje tem mártires para mostrar sua luta contra os poderes que se colocam contra sua existência verdadeira.

+ O Metropolita de Thyateira, Germanos

Londres, Domingo de Ramos, 1931

Parte l
Tempos Antigos (A.D. 33-700)

1. Os Primeiros Pregadores do Evangelho

A Comunidade Cristã em Jerusalém.

A história da Igreja começa no dia de Pentecostes, que por essa razão tem sido chamado de aniversário da Igreja. Naquele dia, a presença de cento e vinte pessoas, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, e eles começaram a falar em diversas línguas, de modo que Judeus de longe que estavam morando em Jerusalém, ficaram espantados com a súbita transformação de homens que ainda ontem eram simples pescadores. Mas o apóstolo Pedro, levantando-se no meio deles, explicou que essa transformação era devida a Jesus o Nazareno, que apesar de crucificado pelos judeus, tinha ressuscitado pelo poder de Deus. E naquele mesmo dia tres mil almas se juntaram à nova fé. Alguns dias depois, quando Pedro e João estavam a caminho do templo para rezar, um pedinte aleijado que estava deitado no templo pediu esmola a eles: "Prata ou ouro não tenho nenhum," disse Pedro; "mas posso dar tal a ti: em nome de Jesus Cristo de Nazareth, levanta-te e anda." O homem aleijado foi curado e Pedro, segurando-o pela mão, mostrou-o para a multidão atônita que amontoou-se para ver o milagre, como um testemunho do poder de Cristo. E os tres mil fiéis de antes tornaram-se cinco mil.

Estevão, o Primeiro Mártir.

Assim, os primeiros seguidores do Cristo crucificado cresceram aos saltos, e formaram a primeira comunidade Cristã em Jerusalém. Unidos por laços de amor mútuo, como nunca havia sido visto antes, eles comiam em mesas comunitárias e sob a supervisão geral dos apóstolos e tinham todas as suas posses em comum. Mas logo, no entanto, os Apóstolos não eram mas capazes de atender as necessidades materiais e espirituais de tantos milhares de almas; então, mantendo para si o ministério espiritual, indicaram sete diáconos para organizar o aprovisionamento da comunidade. Destacava-se entre os sete por sabedoria e santidade Estevão. Cheio de santo zêlo, ele renunciou os judeus por sua surdez para a voz do Senhor, que ficaram enraivecidos, e acusaram-no de blasfêmia, condenando-o à morte por apedramento. "Senhor Jesus, recebe meu espírito!" foram suas palavras antes da morte.

A Conversão de Saulo.

A morte de Estevão o Mártir foi o sinal de partida para uma grande perseguição contra a recém estabelecida Igreja, que era intolerável para as autoridades judias como uma apostasia da lei de Moisés. Mas essa perseguição local tornou-se vantajosa para a nova fé, porque seu efeito for espalhar os irmãos de Jerusalem, onde até então eles estavam confinados, enviando-os para carregar as sementes do evangelho não só para outras cidades da Judéia, mas tambem para a Samaria, Fenícia e Chipre, e até para Antioquia, onde pela primeira vez os fiéis ao Cristo foram chamados de Cristãos. Foi também a morte de Estevão, que primeiro pôs em evidência Saulo, então ainda um fanático fariseu, que atacava selvagemente a Igreja Cristã, mas que estava divinamente indicado para tornar-se o mais ardoroso e frutificante dos Apóstolos do Senhor. Sua conversão para o Cristianismo ocorreu no ano 35 D.C. fora de Damasco. Uma grande luz brilhou subitamente cercando-o, e a voz do Salvador soou em seus ouvidos: "Saulo, Saulo, porque me persegues. É duro para ti recalcitrar contra os aguilhões. "Então ele foi batizado, mudando seu nome de Saulo para Paulo; os Apóstolos o receberam em sua fraternidade, e, cercado por perigos e perseguições, ele embarcou naquelas grandes e missionárias jornadas que fariam do Cristianismo uma fé universal.

As Jornadas do Apóstolo Paulo.

Em sua primeira jornada missionária (45-51), Paulo saiu de Antióquia na Síria e após visitar em um turno Seleucia, Chipre, Perga em Panfilia, Antioquia em Pisidia, Iconio, Lysdra e Derbe, ele então, retornou para seu ponto-de-partida para logo depois atender o Sinodo Apostólico em Jerusalém, onde ele defendeu a independência do Cristianismo das formas e cerimônias prescritas pela lei Mosaica, Sua segunda jornada missionária (53-55) foi feita com o intuito de visitar e reforçar na fé as comunidades estabelecidas recentemente, mas seu zêlo dirigiu-o para Troas, no lado mais distante da Asia Menor, onde ele tomou um barco para a Europa e fundou as Igrejas de Filipo, Amfipolis, Apolônia, Tessalônica, Berea, Atenas e Corinto. E na sua terceira jornada missionária (56-59), Paulo adotou por algum tempo como seu quartel general a grande cidade de Efeso na Asia Menor, para desgôsto dos devotos de de Diana. De lá, prosseguiu para visitar as comunidades recem-fundadas na Macedônia e na Grécia, e no seu caminho de volta pregou o Evangelho em Metilene, Chios, Samos, Mileto, Cos, Rhodes e Tiro na Tenícia, retornando à Jerusalém pelo caminho da Cesaréia.